Não vou mais viajar, diz dono de comércio incendiado no Brás

"Eu recebo por venda. Tinha várias encomendas que os clientes ficaram de vir buscar. Estragou tudo", disse Paulo Costa, de 18 anos

São Paulo – O vendedor de tênis Paulo Costa, de 18 anos, teve de cancelar às pressas o passeio de fim de ano. Ele é um dos lojistas prejudicados no incêndio de grandes proporções que tomou o Shopping 25 Brás, na região central de São Paulo, no final da noite de domingo, 21.

“Eu recebo por venda. Tinha várias encomendas que os clientes ficaram de vir buscar. Estragou tudo”, contou o jovem, que viajaria a Peruíbe, no litoral paulista, com os amigos na próxima sexta-feira, 26. “Caiu o teto, a loja já era.”

De acordo com o vendedor, esta seria a semana em que começaria o lucro, já que o restante do mês “só paga o material”. “Se eu viajar, vou ficar muito apertado.” Um box no shopping, segundo comerciantes, custa a partir de R$ 3 mil por mês.

As galerias do shopping permaneceram interditadas após o incêndio. Pelo menos 10 lojas que ficavam atrás das galerias, na Rua Miller, também foram atingidas e continuaram fechadas.

Às 12h desta segunda-feira, 22, o Corpo de Bombeiros fazia buscas por corpos no local, com seis viaturas e 18 agentes. Os comerciantes foram sendo chamados em ordem alfabética para verificar as galerias. Grande parte dos vendedores no local é chinês e teve dificuldade para se comunicar com os bombeiros.

“Não sei de nada, cheguei e estava assim”, lamentou a vendedora de calças Ling, que não quis informar o primeiro nome. Mãe de três filhas menores de idade, Ling está preocupada com o aluguel que vence nos próximos dias. “Meu marido vai ajudar.”

Proprietária de uma galeria de roupas, a comerciante Ling era uma das que se amontoavam em frente à barreira montada pelo Corpo de Bombeiros, aguardando por mais informações do acidente. Ela trabalhava no local há três anos e disse “não ter ideia” do prejuízo causado.

Além do shopping, o incêndio também atingiu pelo menos dez lojas que ficavam atrás das galerias, na Rua Miller. Vendedores e comerciantes usavam máscaras e deixaram as portas abertas para inspeção do Corpo de Bombeiros.

Nenhum dos lojistas aceitou dar entrevista, mas um funcionário confirmou que não houve feridos. “Já era muito tarde, estava tudo fechado.”

Até o momento, a Associação de Lojistas de São Paulo (Alshop) informou que não foi possível calcular os prejuízos.