Não vi indícios de propina em obras de gasoduto, diz gerente

Vitor Lacerda comanda a área desde 2013 e foi convidado para falar como testemunha, na CPI da Petrobras, sobre o contrato investigado pela PF na Lava Jato

O gerente de Implementação de Empreendimentos da Petrobras, Vítor Tiago Lacerda, disse hoje (24) que nunca identificou qualquer indício de propina nas negociações da construção de gasodutos que ligam os campos de petróleo de Sapinhoá, Lula e Lula Nordeste, na bacia de Campos.

Vitor Lacerda comanda a área desde 2013 e foi convidado para falar como testemunha, na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras, sobre o contrato investigado pela Polícia Federal na Operação Lava Jato.

A área ocupada pelo engenheiro estava submetida ao ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque. As investigações conduzidas pela PF indicam pagamento de propina a funcionários da estatal pela empresa italiana Saipem, que construiu o gasoduto.

Segundo a PF, o dinheiro ilegal era repassado ao sócio da empresa Hayley Empreendimentos e Participações, João Antonio Bernardi. “Durante toda a contratação eu não o conhecia [Bernardi].

Nunca tive contato algum. Só no final de 2013, quando eu substituía meu gerente, eu participei de reunião em que ele estava”, afirmou.

Durante as negociações para a construção da obra, três empresas apresentaram documentação técnica, entre elas, a Saipem, que foi a única a fazer proposta comercial válida no período.

Perguntado sobre a situação, Vítor Lacerda afirmou que este tipo de obra é muito específico. “Estamos falando de gasoduto submarino em águas superprofundas. Poucas embarcações no mundo têm capacidade para esse tipo de serviço. São caras. E um gasoduto de 19 quilômetros é curto e tem pouca atratividade. Então a gente acredita que o resultado disso é que só tinha a proposta da Saipem.”

O grupo de contratação teve cerca de dez reuniões com a empresa italiana. No início da contratação a área responsável da Petrobras havia feito uma estimativa de custo de R$ 228 milhões, com possibilidade de desvio de mais 20%.

A proposta da Saipem foi de R$ 286 milhões, que significavam 25% a mais. Segundo Lacerda, não existia pressões políticas mas havia uma preocupação com a necessidade da obra.

“Havia a pressão da necessidade do gasoduto, que era muito importante para o desenvolvimento do polo Pré-sal”, disse.

Ele explicou que durante a exploração do petróleo há saída de gás que precisa ser conduzido para a terra sob risco de não haver produção. “Os prazos eram apertados. Havia a pressão do prazo, mas da própria necessidade e não de alguma pessoa específica.”

Vítor Lacerda também disse que nunca encontrou ou teve relacionamento com Pedro Barusco. “Pela minha área, não percebia interferência alguma de Barusco. Havia três gerentes entre mim e ele”, acrescentou.

Na ordem hierárquica, o engenheiro afirmou que só tinha contato com o engenheiro Marcos Guedes, gerente do empreendimento.

Guedes é outra testemunha esperada pela CPI na reunião de hoje, assim como Paulo Pires de Almeida, ligado ao operador do mercado financeiro Raul Srour.

Por acordo, os deputados inverteram a ordem dos depoimentos e estão ouvindo, neste momento, o doleiro Leonardo Meirelles, sócio do doleiro Alberto Youssef e réu de quatro processos penais movidos a partir das investigações da Lava Jato.