Bolsonaro no Roda Viva: “Não houve golpe militar em 1964”

"Abominamos a tortura, mas naquele momento vivíamos na guerra fria", justificou.

São Paulo – Candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro foi o entrevistado da noite desta quinta-feira, 30, no programa Roda Viva, da TV Cultura. No debate acalorado com jornalistas, o deputado atacou o regime de cotas nas universidades, defendeu a ditadura militar (1964-1985) e disse ter hoje mais votos que Lula. O parlamentar é líder nas pesquisas eleitorais nos cenários sem o ex-presidente petista na disputa.

Cotas 

“Por que essa política de nos dividir no Brasil?”, disse o candidato questionado sobre cotas a alunos negros e de baixa renda nas universidades. “É questão de mérito, de competência. O negro não é melhor do que eu e eu não sou melhor do que o negro”, defendeu. Sobre o futuro, Bolsonaro diz que não pode dizer que vai terminar com essa politica, porque tal decisão dependeria do Congresso, mas que poderia propor “uma redução”.

Ditadura

Para Bolsonaro, os atos cometidos pelos militares se justificavam pelo “clima da época, de guerra fria”, e que teria agido da mesma maneira se estivesse no lugar deles.

“Não houve golpe militar em 1964. Quem declarou vago o cargo do presidente na época foi o Parlamento. Era a regra em vigor”, disse Bolsonaro. O presidenciável defendeu ainda as atuações dos militares em casos de tortura e também a figura do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra (1932-2015), a quem homenageou em seu voto durante o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. “Abominamos a tortura, mas naquele momento vivíamos na guerra fria”, justificou. Brilhante Ustra foi chefe do DOI-Codi, um dos principais centros de tortura durante a ditadura.

Bolsonaro ainda reclamou que a imprensa escolhe apenas os casos que afetaram militantes da esquerda para comentar. “Vocês só falam sobre casos da esquerda. Por que não falam sobre o atentado do aeroporto de Guararapes, em que morreu o Edson Regis?”, questionou, fazendo referência a um atentado a bomba ocorrido em Recife em 1966. “Um dos militantes da AP, não digo que estava lá, era o José Serra. Vamos botar o Serra nos banco dos réus então.”

Pressionado pelos jornalistas convidados a falar sobre a abertura dos arquivos da ditadura militar, o presidenciável disse duvidar que eles ainda existam. “Não vou abrir nada. Esquece isso aí, vamos pensar daqui pra frente”, desconversou.

Voto impresso

O candidato voltou a criticar a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de barrar a implementação do voto impresso no Brasil. Na visão do presidenciável, a medida coloca sob suspeição a eleição deste ano. “Lamento que a (procuradora-geral da República) Raquel Dodge tenha atuado para derrubar o voto impresso. Você não tem como comprovar que não haverá fraude, nem eu que haverá. Não consigo entender como a impressão do voto prejudica (o eleitor), como ela argumentou”, disse.

Bolsonaro disse ter hoje mais votos que o ex-presidente Lula, que figura em primeiro lugar nas pesquisas de intenção de voto, mas que não conseguirá saber se o resultado é correto. “As eleições de qualquer forma estão sob suspeição”, disse.

Cunha

Questionado sobre sua aliança com o ex-deputado Eduardo Cunha (MDB-RJ), que foi cassado e está preso por corrupção, Bolsonaro citou delatores que mencionaram que foi um dos poucos a não aceitar dinheiro de propina. “Não é porque andei na companhia de corruptos que sou corrupto”, disse.

Confronto

Num dos blocos do programa, o presidenciável foi questionado pelo ex-ministro da Justiça de Fernando Henrique Cardoso, José Gregori, sobre a veracidade de uma frase que o deputado teria dito: “o deputado teria dito na tribuna da Câmara que um dos erros da revolução (dita revolução por ele) dos militares de 1964 teria sido não ter fuzilado Fernando Henrique e José Gregori, é verdade? O candidato disse que sim, se enrolou na hora de desenvolver a resposta e concluiu: “não me referia a você não, tá ok?”

O liberal

Bolsonaro foi questionado sobre como gostaria de ser ser lembrado na história, se fosse eleito. A resposta dele foi uma economia mais liberal.

Comentários

Não é mais possível comentar nessa página.

  1. Henrique Melo

    Foi nítida a tentativa absorta dos jornalistas em refutar qualquer argumento do candidato Jair Bolsonaro. Infelizmente esse programa está repleto de socialistas que brincam de “la revolucion” com a grana do patrão. Vão pagar caro, com a chegada do capitão ao poder.

  2. thiago Camargo (Halterados)

    Irei votar no Bolsonaro! Quero mudança ! E por ele apoiar as leis e a polícia meu voto é dele pois sou cidadão de bem !

  3. wilmar arnold

    Hoje o Brasil seria uma nação comparável a Coréia do Norte e a Cuba se os militares não tivessem agido e mesmo permanecendo vinte anos no poder ainda sobrou sementes de corrupção que germinaram e produziram corruptos no PT. Só Bolsonaro para limpar a sujeira produzida pelo PT. Bolsonar a esperança do Brasil.

  4. Douglas Ulmer

    Clara tentativa de distorcer os fatos, Jornalistas perderam a chance de perguntarem coisas relevantes ao Bolsonaro, ficaram nas mesmas perguntas de sempre, e ele foi muito bom nas respostas. Triste ver a decadência dos jornalistas brasileiros.

  5. Josielen Prudente Inacio

    Quem não vê que ele é cassado? O que a “mídia” corrompida reprova, eu aprovo. Voto Bolsonaro !

  6. Política Brasileira é um exemplo único da escória!
    Nunca vi tanta gente burra e cega por metro quadrado…

    Eu já não vou as urnas há mais de 16 anos e minha vida não mudou nada por isso…continuo vivendi…tenho casa própria, carro, um ótimo emprego e pasmem ainda pago convênio médico…não dependo dessa corja de vagabundos para nada…portanto Brasileiros alienados…se matem porvesses vagabundos que só são diferentes dos bandidos dos morros ou favelas porque usam paletó e gravata….

  7. Renato Moura

    Soa como falta de respeito à população, por parte do senhor Jair Bolsonaro como candidato a presidência do Brasil, não dominar temas chaves como economia e educação, delegando tais atribuições a terceiros.

  8. André Vieira de Souza

    Kkkkk, como assim cara!? Ele não precisa ser econômista, médico, advogado ou seja lá qlqr outra formação, basta não ser corrupto, colocar uma pessoa q entenda do assunto é seja integra tbm q o país anda…. Pior q Dilma e Lula não é!! Será presidente e ficará para a história, o país crescerá 20 anos em apenas 4… Printa aqui ok pra vc lembrar depois!!

  9. Leonardo Tomé Silveira

    Você está falando de um presidente ou de um guru? Você quer que ele o que mais? Entender de política, ter uma base em economia, representar uma parcela gigantesca do povo, não ser corrupto, ser contra bandidos, et cetera… tudo isso não é suficiente? A Dilma disse que era economista, olha o que ela fez com nossa pátria.