Não faltam denúncias contra Renan, que deve ser eleito hoje

Renan Calheiros deve assumir hoje o comando do Senado, cinco anos após deixar o cargo pela porta dos fundos. Seu nome está envolvido em inúmeras denúncias

São Paulo – O Senado Federal escolhe hoje seu novo presidente, que vai ocupar o posto de José Sarney (PMDB), à frente da casa desde 2009. Dentre os candidatos, Renan Calheiros, também do PMDB (partido com maior bancada no Senado), em seu terceiro mandato como senador, não deve ter dificuldades para sair vitorioso, segundo a contagem de aliados.

Mas o favorito tem sofrido uma crescente oposição desde a semana passada, quando o Procurador Geral da República, Roberto Gurgel, ofereceu denúncia ao Supremo Tribunal Federal contra ele, que passa agora a ser investigado em mais um processo.

Renan contará hoje com o apoio do Palácio do Planalto para se eleger ao posto ao qual teve que renunciar em 2007, após uma série de denúncias (relembre-as abaixo). Confronto até vai ter: um grupo independente de senadores lançou o nome de Pedro Taques (PDT), mas ninguém acredita que ele represente uma ameaça real às pretensões do PMDB.

Certamente, o senador não conta com grande popularidade entre os internautas brasileiros. Um abaixo-assinado online contra sua eleição já recolheu mais de 280 mil assinaturas.

Na própria página da petição online, os organizadores pedem um parlamentar Ficha Limpa para presidir o Senado brasileiro. Por duas vezes, Renan escapou da cassação em plenário, apesar da recomendação pela perda de mandato feita pelo Conselho de Ética.

Confira abaixo os maiores escândalos em que seu nome aparece:

Crimes contra o meio ambiente (2013)

O ano de Calheiros já começou com um pedido da procuradoria-geral da República para apurar se o senador cometeu crime contra o meio ambiente e patrimônio genético em uma unidade de conservação ambiental no Alagoas. A nova inquisição se soma a outras duas que já correm no STF contra o candidato à presidência da casa.

Reembolsos (2013)

No início do ano, a Folha de S. Paulo informou que o senador pediu uma restituição de R$ 10 mil ao Senado por um serviço que uma produtora de vídeo diz não ter prestado para ele. O reembolso era justificado por um direito dos parlamentares de ter despesas feitas para divulgação de atividade parlamentar cobertas pela casa – mediante apresentação de nota fiscal. O dono da produtora negou ter prestado serviços a Renan Calheiros.

Atos Secretos (2009)

Na disputa entre José Sarney (PMDB) e Tião Viana (PT) pela presidência do Senado, acusações e denúncias surgiram de todos os lados. Dentre elas, a de não publicação de atos administrativos como nepotismo e medidas impopulares (que beneficiariam senadores e seus parentes). Renan Calheiros apareceu como o recordista de atos secretos: 260 de 663 atos tabelados, incluindo a criação de cargos e nomeações em favor de aliados.

Caso Mônica Veloso (2007)

Um dos mais polêmicos até agora. Em 2007, a Polícia Federal expôs os pagamentos que Renan Calheiros fazia através de um lobista de uma empreiteira para a jornalista Mônica Veloso, mãe de sua filha. Na época, o senador foi processado pelo Conselho de Ética e afastou-se da presidência, mas não foi cassado. O STF abriu um inquérito para investigá-lo por improbidade administrativa e tráfico de influência.

Na última semana, mas um desenrolar da polêmica: o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, apresentou denúncia contra o senador ao Supremo Tribunal Federal. O candidato à presidência da casa foi acusado de ter apresentado notas fiscais frias para justificar seu patrimônio após o escândalo do caso Veloso. O inquérito está sob segredo de Justiça.


Emissoras em Alagoas (2007)

Em 1998, quando almejava se candidatar ao governo de Alagoas, tentou montar uma rede de emissoras usando laranjas e contratos de gaveta, com pagamentos feitos em dinheiro vivo. O caso levou Renan novamente a julgamento em plenário, depois do caso de Mônica Veloso, mas foi absolvido pelos pares. 

Caso Schincariol (2007)

Ainda quando era presidente, Renan foi acusado em matéria da revista Veja de beneficiar a Schincariol, que havia comprado uma fábrica de seu irmão por um preço excessivamente alto. Em troca, o senador teria pressionado para que a Receita e o INSS não executassem os débitos fiscais da cervejaria.

Caso BMG (2007)

Renan teria organizado um esquema para beneficiar o BMG no serviço de concessão de crédico consignado para os aposentados da Previdência. Em troca, o banco teria pagado propina aos envolvidos. O caso gerou processo no Conselho de Ética, mas foi arquivado.