“Não dê munição ao canalha”, diz Bolsonaro sobre soltura de Lula

Após se manter em silêncio ontem, o atual presidente se pronunciou no Twitter sobre a soltura do ex-presidente petista

São Paulo — Após ficar em silêncio sobre a saída do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva da prisão, o atual presidente Jair Bolsonaro se pronunciou neste sábado (9) no Twitter. “Não dê munição ao canalha, que momentaneamente está livre, mas carregado de culpa”, escreveu.

Lula deixou a sede da superintendência da Polícia Federal em Curitiba no final da tarde de sexta-feira (8) e hoje reúne a militância em São Bernardo do Campo, na sede do Sindicato dos Metalúrgicos.

A Justiça determinou a soltura do petista em concordância com a decisão tomada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na quinta-feira (7) de revogar a possibilidade de prisão após condenação em segunda instância. Por 6 votos a 5, a Suprema Corte entendeu que a antecipação da pena é inconstitucional.

A princípio, Bolsonaro não havia se pronunciado sobre a soltura de Lula. Segundo um aliado do presidente no Congresso, ele evitaria dar sinais de afronta à decisão do STF sobre a segunda instância.

Em discurso no Palácio do Planalto, nesta sexta-feira (08), o presidente afirmou a populares que é responsável apenas pelo que acontece no Poder Executivo. “Não vou entrar numa furada”, disse. “Tenho responsabilidade com todos vocês”, completou.

Mas, neste sábado o presidente falou sobre a decisão da Justiça que levou à soltura de Lula e sobre o próprio governo. “Eu tive a grande satisfação de ser eleito e ser, talvez, o único que está cumprindo o que prometeu durante a campanha”, disse.

“Amantes da liberdade e do bem, somos a maioria. Não podemos cometer erros. Sem um norte e um comando, mesmo a melhor tropa se torna um bando que atira para todos os lados, inclusive nos amigos”, continuou o presidente.

No primeiro discurso após deixar a prisão, Lula criticou Bolsonaro e disse que vai continuar “lutando para melhorar a vida do povo brasileiro, que está uma desgraça” e para “impedir que esses caras não entreguem o país aos estrangeiros”.