Na churrascaria; Turquia X Europa…

O pronunciamento de Temer

No final da tarde deste domingo, o presidente Michel Temer fez um pronunciamento ao vivo na televisão para afirmar sua confiança na carne brasileira e assim tentar minimizar a repercussão da Operação Carne Fraca, deflagrada na última sexta-feira. Segundo Temer, na operação foram investigadas apenas 33 empresas das 4800 sujeitas a inspeção federal. Desse total, foram encontradas suspeitas de irregularidades em 21 empresas. “Houve alguns poucos desvios de conduta de alguns poucos funcionários de poucas ou pouquíssimas empresas”, afirmou o presidente. “O governo federal quer reiterar sua confiança na qualidade do nosso produto nacional”. Após reuniões com empresários, o governo decidiu criar uma força tarefa para fiscalizar as 21 unidades suspeitas de irregularidades.

Na churrascaria

Em um gesto político para recobrar confiança sobre a indústria brasileira após a deflagração Operação Carne Fraca, o presidente Michel Temer jantou em uma churrascaria de Brasília neste domingo. Estavam presentes os embaixadores da China e de Angola no Brasil, os ministros Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência), Blairo Maggi (Agricultura), Marcos Pereira (Indústria, Comércio Exterior e Serviços) e representantes de outros 25 países. O rodízio, que custa 119 reais por pessoa, incluiu carnes, bufê de saladas e sushi. Temer comeu picanha, linguiça e bebeu caipirinha para acompanhar. Segundo nota do Palácio do Planalto, todos os cortes servidos à comitiva eram de origem brasileira. O jornal O Estado de S. Paulo afirmou que a churrascaria serve apenas carnes da Argentina, do Uruguai e da Austrália.

“0,5% do setor”

O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, afirmou em entrevista que é uma “idiotice” achar que empresas usam papelão em seus produtos, como afirmou a Polícia Federal. Segundo ele, as conversas sobre o uso de papelão citadas na operação referiam-se a embalagens dos produtos. Francisco Sérgio Turra, ex-ministro da Agricultura e presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal, afirmou, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, que a operação da Polícia Federal foi exagerada, dando a impressão de que carne brasileira é toda fraudada. “É um absurdo nivelar tudo, generalizar, vender a ideia de que no Brasil nada presta, de que tudo é podridão, é errado, nada está na conformidade da lei”, diz. Segundo ele, as falhas apontadas pegam 0,5% do setor.

Lula no São Francisco

O ex-presidente Lula falou como candidato ao pleito de 2018 em palanque na cidade paraibana de Monteiro neste domingo 19. Em “cerimônia extraoficial” de inauguração do eixo leste da transposição do rio São Francisco, Lula reivindicou a paternidade da obra. “Dilma e eu temos orgulho de dizer: nós somos o pai, mãe, irmão, tio, primo e sobrinho da transposição das águas do São Francisco”, disse. Na semana passada, o presidente Michel Temer realizou a inauguração oficial e afirmou que “a paternidade [da obra] é do povo brasileiro e do povo nordestino”. Acompanhado por petistas como a ex-presidente Dilma Rousseff, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, o presidente do PT Rui Falcão e a senadora Gleisi Hoffman, Lula disse que “está longe de definir candidatura”, e que só poderia fazê-lo com aprovação do PT.

Orçamento: corte de 65 bi

O governo deverá ter que anunciar um corte de até de 65 bilhões no orçamento, informa o jornal O Estado de S. Paulo. Seria uma exigência do Tribunal de Contas da União para calibrar o valor ao longo do ano de acordo com um cronograma de medidas de aumento de receita. O relatório de receitas e despesas, a ser publicados no dia 22, deve dar o tamanho efetivo do corte. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, deve definir o número com o presidente Michel Temer até lá.

Turquia vs. Europa

As tensões entre a Europa e a Turquia continuam em alta. Um ano depois do início do acordo entre União Europeia e Turquia para frear a entrada de refugiado no continente, Ancara quer rever o pacto. Na última semana, Alemanha e Holanda proibiram comícios de ministros turcos em campanha. Em um ano, o acordo reduziu a entrada diária de refugiados que deixaram a Turquia para as ilhas gregas em 98%. Ontem, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, voltou a acusar a Alemanha de “práticas nazistas” ao não permitir o pronunciamento de políticos turcos. O ministro alemão das relações Exteriores, Sigmar Gabriel, afirmou “somos tolerantes, mas não somos idiotas”.