Na Câmara, é tempo de Murici

O afastamento de Eduardo Cunha do mandato de deputado e, por isso, da presidência da Câmara, pelo Supremo jogou a casa numa situação de instabilidade total. E abriu uma nova guerra de poder. O novo presidente é o deputado Waldir Maranhão, do PP. Membro do baixo clero, Maranhão também é investigado na Lava-Jato e, no entender dos parlamentares, não tem capacidade de lidar com o cargo. Claudicante, ontem encerrou e recomeçou a sessão por pressão de seus colegas.

O final de semana em Brasília deve ser de muita discussão – e articulações – sobre o desfecho do cargo. Os debates são importantíssimos, e urgentes. Um eventual governo de Michel Temer conta com a força de articulação no Congresso para aprovar com rapidez projetos econômicos que tragam confiança para seu governo.

Às 19h de ontem a oposição divulgou uma nota, assinada pelo PSDB, DEM, PPS e PSB, afirmando que, como o Supremo não fixou prazo para o retorno de Cunha nem para o desfecho da ação penal, consideram que a presidência está vaga e exigiram imediata realização de novas eleições, para restabelecer a “normalidade” e retomar a atividade parlamentar. Juntos, somam 115 deputados.

Os aliados de Cunha entendem que não é possível convocar novas eleições porque o cargo não está vago – Maranhão, portanto, teria direito a completar o mandato de Cunha, até fevereiro de 2017. Apesar disso, os partidos do chamado Centrão tentam emplacar o deputado Rogério Rosso, que presidiu a Comissão de Impeachment. Juntos, PP, PR, PTB, PSD e PRB têm mais de 164 votos.

Oito dos dez integrantes da mesa diretora são alvos de processo na Justiça. Aliado de Cunha, o deputado Beto Mansur é recordista com 47 ocorrências – que incluem até trabalho escravo. “A Câmara está acéfala, como o governo. Isso é um caso inédito. Esquece tudo que está em pauta, a agenda sumiu. Todos só pensam em sobreviver”, diz André César Pereira, sócio da Hold Assessoria Parlamentar. É tempo de Murici – cada um cuida de si.