Manifestações em todos os estados defendem governo Bolsonaro

Mais de 100 cidades tiveram atos, elogiados pelo presidente, com mote de defesa de reformas e ataques ao centrão e ao STF; Rodrigo Maia foi um dos alvos

Brasília — O presidente Jair Bolsonaro recebeu neste domingo, 26, um voto de confiança de seus eleitores, que foram às ruas de várias cidades do país para apoiar reformas propostas pelo governo que enfrentam resistência no Congresso.

Além da reforma da Previdência e do pacote anticrime do ministro Sérgio Moro, estavam no centro das atenções dos manifestantes o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e o chamado “Centrão”, apontados como vilões que impedem o avanço da agenda do governo. 

Nas ruas, as pessoas usavam camisas da seleção brasileira e levavam cartazes de apoio ao “mito”. Muitas mensagens também tinham como alvo o Supremo Tribunal Federal (STF), que vem sendo criticado por eleitores e aliados do presidente.

Apoiadores do presidente registraram manifestações em 156 cidades de 26 estados e no Distrito Federal, segundo levantamento do G1.

Em São Paulo, os manifestantes se reuniram na Avenida Paulista e chegaram a ocupar sete quadras. O número de manifestantes foi visivelmente menor que nas manifestações pelo impeachment de Dilma Rousseff, mas a Polícia Militar não fez estimativas até o momento.

O caminhão do Nas Ruas foi o ponto de encontro dos políticos presentes (a maioria do PSL) e também o principal foco de aglomeração de manifestantes.

O grupo ocupou o espaço que nas manifestações de 2014 foi do Movimento Brasil Livre e do Vem Pra Rua – as duas organizações optaram por não apoiar o movimento em defesa de Jair Bolsonaro.

Bonecos infláveis do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, já usados em manifestações contra a corrupção convocadas desde 2013, também foram levados às ruas neste domingo.

Moro também ganhou uma “versão gigante”, mas vestido de Super-Homem. O boneco foi exibido na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, onde os manifestantes e algumas lideranças religiosas subiram em carros de som para expressar apoio a Bolsonaro.

De acordo com estimativa da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), 20 mil pessoas estiveram na Esplanada, que parecia vazia vista de cima. A maior concentração se deu no gramado em frente ao Congresso.

No Rio de Janeiro, o público que participou do ato se distribui ao longo de 800 metros da avenida Atlântica, em Copacabana, zona sul da cidade. Embora as duas pistas tenham sido interditadas para o trânsito de carros, só foi ocupada a pista mais perto da praia.

A Polícia Militar não divulga estimativa de público, e, como não há uma liderança única do ato, ninguém emitiu essa estimativa.

Os manifestantes traziam faixas críticas a ministros do STF e a integrantes do chamado centrão, mas o principal alvo do ato de apoio ao governo foi o presidente da Câmara.

Um boneco inflável de Rodrigo Maia foi batizado de “Nhonhozeco”, segurava um símbolo de cifrão e vestia camiseta com logomarcas de empresas relacionadas a denúncias contra o presidente da Câmara, como a Gol e a Odebrecht, além de uma inscrição de Judas, traidor de Cristo, ao lado do já tradicional “Pixuleco”, em alusão ao ex-presidente Lula, vestido de presidiário.

Também houve grande apoio a Bolsonaro em São Luís, no Maranhão, em Belém, no Pará, e em Belo Horizonte, em Minas Gerais, onde a imprensa virou alvo.

Uma equipe da Rede Globo de Televisão chegou a ser expulsa por manifestantes da Praça da Liberdade, no centro da capital mineira.

Um repórter e um cinegrafista faziam cobertura do ato quando começaram a ser perseguidos e hostilizados com palavrões. Os dois andaram cerca de 400 metros até entrarem em um carro sem logomarca da rede de televisão.

Em Juiz de Fora, cidade onde o presidente foi esfaqueado ainda na campanha eleitoral, os manifestantes se reuniram em frente à Câmara Municipal e também declararam apoio às reformas de Bolsonaro.

Manifestantes pró-Bolsonaro arrancam faixa a favor da educação em Curitiba

Manifestantes pró-Bolsonaro arrancaram uma faixa em defesa da educação pública que estava afixada à fachada do prédio histórico da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba, neste domingo, 26.

O edifício fica na praça Santos Andrade, local que costuma ser ponto de início de manifestações na capital paranaense.

O apoio popular ao governo ocorre 11 dias depois de grandes protestos liderados por estudantes, que contaram com respaldo de sindicatos e movimentos sociais, como uma reação aos cortes de verbas das universidades anunciados pelo Ministério da Educação.

A faixa, na qual se lia “Em defesa da educação #OrgulhoDeSerUFPR #UniversidadePública #EuDefendo”, foi retirada sob aplausos de manifestantes. Um deles afirma, em vídeo que circula nas redes sociais, que “prédio público não pode ser utilizado de forma ideológica”.

O reitor da UFPR, Ricardo Marcelo Fonseca, classificou a ação como “inacreditável” em sua conta no Twitter.

Os atos acontecem em meio aos rachas dentro da direita expostos na última semana e divergência sobre o foco das pautas, que geraram críticas até mesmo entre os eleitores de Bolsonaro.

Presidente se manifesta sobre atos

Embora tenha agido, nos últimos dias, para desvincular os atos de qualquer patrocínio do Palácio do Planalto, Bolsonaro compartilhou pela manhã em seu perfil oficial do Twitter vídeos de manifestações em Minas Gerais, Maranhão e Rio de janeiro.

Depois, após um culto religioso na Igreja Batista Atitude, no Recreio, zona oeste do Rio de Janeiro, Bolsonaro subiu ao palco com a mulher Michelle Bolsonaro, e discursou em defesa das manifestações que ocorrem neste domingo.

Segundo ele, “hoje é o dia em que o povo estará nas ruas”, em uma “manifestação espontânea”, como um recado “para aqueles que, com suas velhas práticas, não deixam que o povo se liberte”.

“Pela primeira vez na história do Brasil um presidente eleito está cumprindo o que prometeu na campanha”, afirmou Bolsonaro. O presidente se emocionou durante o discurso, ao agradecer a Deus pela sua vida. “Peço orações para mim, para o Brasil e para as autoridades. Para que possamos vencer os obstáculos”, discursou.

No fim da tarde, o presidente postou outro tuíte, chamando atenção para o “caráter pacífico” dos atos.