Mudou, mas continua igual

A duas semanas das eleições municipais, as mudanças de regra na campanha, que proibiram as doações empresariais, não mudaram a dinâmica das campanhas – pelo menos na visão de um grupo crescente de analistas. A principal preocupação dos candidatos era o tempo mais curto de campanha e a falta de recursos. O problema: 47% dos eleitores declararam não ter visto nenhum programa político até o momento, segundo pesquisa Ibope divulgada nesta semana.

“Ainda há um desinteresse generalizado na propaganda eleitoral”, afirma Emmanuel Publio Dias, consultor político e professor de marketing político da ESPM de São Paulo.

Outra expectativa frustrada é o peso das redes sociais nas corridas como alternativa de engajamento. O maior exemplo está no PSOL, que saiu na frente pela criatividade, organizando encontros públicos e veiculando peças criativas para driblar o falta de espaço na TV. Mas tanto Luiza Erundina em São Paulo, como Marcelo Freixo, no Rio, mantém intenções de voto muito parecidas ao início das corridas.

A impressão de que as redes sociais seriam o canal de sucesso deriva do exemplo norte-americano, em que Barack Obama utilizou com maestria as redes para conseguir votos. “Lá, as redes sociais são usadas para trazer o eleitor, pois o voto é facultativo. E Obama conseguiu trazer uma visão positiva da política. Aqui, o sentimento geral é de rejeição”, diz Carlos Manhanelli, consultor especializado em marketing político eleitoral.

A maior mostra de que, no fim das contas, o jogo mudou para pouco mudar está na dinâmica das duas principais cidades do país. Em São Paulo, Celso Russomano (PRB) abriu vantagem, como em 2012, e vê dois adversários se aproximarem com risco de o afastarem do segundo turno, como em 2012. No Rio, Marcelo Crivella, também do PRB, abriu vantagem como em 2012. A dúvida é segura a onda até outubro.