MP do Ceará vai denunciar presidente do Banco do Nordeste por desvio de verba

Dinheiro que deveria ter sido usado para a construção de banheiros em casas pobres teria sido desviado, segundo Ministério Público do Ceará

São Paulo – O Ministério Público do Ceará vai protocolar hoje uma acusação contra o atual presidente do Banco do Nordeste (BNB), Jurandir Santiago. A acusação do MP-CE diz respeito a um possível envolvimento em desvio de verbas públicas quando Santiago ocupava o cargo de Secretário de Estado do Ceará.

Em 2009, quando Santiago era secretário-adjunto de Cidades foram firmados dois convênios com associações comunitárias e prefeitura para a construção de banheiros em casas de baixa renda no município de Ipu, no interior do Ceará. As obras não foram feitas, segundo o MP-CE. Santiago seria um dos responsáveis pelo desvio de cerca de 3 milhões de reais que deveriam ter sido usados para a construção desses banheiros, segundo o  Ministério Público do Ceará. 

Na sexta-feira, foi feita uma operação do Ministério Público e da Polícia Civil para cumprir oito mandados de prisão, busca e apreensão de supostos envolvidos. Três pessoas foram presas e cinco estão foragidas, entre elas o prefeito de Ipu, Sávio Pontes (PMDB).

O Ministério Público do Ceará vai continuar a investigação de outros 57 contratos firmados com municípios do Estado. Nem todos foram assinados por Santiago, segundo o promotor Luiz Alcântara.

De acordo com a assessoria de imprensa do BNB, ontem, Santiago não havia recebido nenhum comunicado oficial e, por isso, não iria se manifestar. 

Chefe de gabinete

Recentemente, Jurandir Santiago exonerou seu chefe de gabinete, Robério Gress do Vale, após pedido da presidente Dilma Rousseff. Vale foi acusado de operar um esquema de corrupção que teria desviado os 100 milhões de reais para o caixa 2 de campanhas eleitorais de petistas do Ceará. 

No começo do mês, a Controladoria-Geral da União (CGU) descobriu um esquema de desvio de recursos no Banco do Nordeste que ocorreu entre o fim de 2009 e o início de 2011. A auditoria, feita pela CGU e pelo banco, detectou fraudes de 100 milhões de reais na liberação de crédito para investimentos e compra de carros e máquinas.