Mortes, desaparecidos e desabrigados: o balanço da chuva em SP

Temporal desta segunda-feira causou alagamentos, travou o trânsito e causou prejuízo para o comércio

São Paulo — Um dia depois da chuva que praticamente parou a cidade, São Paulo ainda se recupera dos efeitos causados pelos alagamentos. Na segunda-feira as duas principais vias da cidade, as marginais Tietê e Pinheiros, ficaram alagadas e aulas e expedientes foram suspensos, além do nó no trânsito em toda a região metropolitana. Outras cidades do interior paulista foram afetadas e uma morte foi registrada no ABC paulista.

Nesta terça-feira, o balanço divulgado pelo governo do Estado, prefeituras, Defesa Civil, Bombeiros e sindicatos patronais coloca em número as consequências da chuva, a maior para o mês de fevereiro em 37 anos, de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

Mortos

Dentre as consequências da chuva de segunda-feira, as mais trágicas foram as mortes de dois homens. Já durante a manhã, o Corpo de Bombeiros confirmou a morte de um homem de 33 anos, desaparecido desde a noite de domingo, no início da chuva. Ele e mais duas pessoas foram levadas por uma enxurrada na região. Seu corpo foi encontrado no piscinão de São Bernardo após a polícia conseguir resgatar as outras duas vítimas.

Na região de Botucatu, uma cratera se abriu no meio da Rodovia Marechal Rondon, arrastando para dentro dela um caminhão que trafegava pela via. De acordo com a Defesa Civil, o corpo do motorista foi encontrado às margens de um córrego em local de difícil acesso.

Oficiais do Corpo de Bombeiros ouvidos pelo “G1” afirmaram que a roda traseira do veículo afundou no asfalto e o caminhão empinou e sumiu dentro da cratera. Outro carro, com duas pessoas, também foi arrastado pela correnteza. Até o momento, eles continuam desaparecidos.

Em Osasco, no Morro do Socó, vizinhos conseguiram gravar o momento em que parte da encosta desabou. Uma criança foi socorrida pelo Corpo de Bombeiros.

Desabrigados

Segundo a Defesa Civil, pelo menos 516 pessoas em todo o estado ficaram desalojadas por causa da chuva. Outras 142 estão desabrigadas (ou seja, precisam de abrigo fornecido pelo governo).

Confira as cidades mais afetadas:

Itaquaquecetuba: 100 desalojados 28 desabrigados
Pirapora do Bom Jesus: 120 desalojados
Botucatu: 80 desabrigados e 27 desalojados
Peruíbe: 06 desabrigados e 100 desalojados

Três cidades decretaram situação de emergência: Botucatu, Laranjal Paulista e Taboão da Serra.

Prejuízo

A Federação do Comércio de Bens, Serviços, Turismo de São Paulo (Fecomercio) calculou em R$ 110 milhões o prejuízo do comércio da região por causa das fortes chuvas.

Segundo a entidade, o cálculo leva em conta setores sensíveis à compra por impulso: supermercados, farmácias, vestuário, lojas de artigos esportivos, de livros e revistas etc.

A Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), principal local de comércio de frutas, legumes e verduras em São Paulo, também teve seus trabalhos interrompidos por causa de alagamentos. Imagens de melancias boiando na água da chuva tomaram as redes sociais.

Segundo os cálculos da Fecomercio, o prejuízo no local deve chegar a cerca de R$ 21 milhões.

Números

Foram registrados 160 pontos de alagamento em São Paulo durante as chuvas, segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE).

Desses pontos de alagamento: 97 com vias intransitáveis e 63 com vias transitáveis.

O rodízio de veículos foi suspenso já na segunda-feira e permanece suspenso nesta terça-feira.

Na manhã desta terça-feira, 40 escolas em todo o estado permanecem sem aulas, segundo o Governo de São Paulo.

O Rio Pinheiros atingiu seu maior nível em 15 anos.

Durante todo o dia, o Corpo de Bombeiros atendeu 10.371 ligações, para 2345 ocorrências. São elas: 1043 de enchentes 163 desabamentos ou desmoronamentos, 170 quedas de árvores.