Mortalidade do jovem custa R$ 79 bilhões por ano ao País

Segundo estudo do Ipea, valor representa 1,5% do PIB nacional, e tem por base dados sobre mais de 1,9 milhão de jovens vítimas de morte violenta

Rio de Janeiro – A alta taxa de mortalidade de jovens no Brasil gera um “custo” anual de R$ 79 bilhões ao País, segundo estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), apresentado nesta sexta-feira, 12, no Rio. De acordo com a pesquisa “Custo da Juventude Perdida no Brasil”, o valor representa 1,5% do PIB nacional, e tem por base dados sobre mais de 1,9 milhão de jovens vítimas de morte violenta (homicídios, acidentes e suicídio) entre 1996 e 2010.

A análise foi divulgada durante o seminário Juventude e Risco: Perdas e Ganhos Sociais na Crista da População Jovem, promovido pelo Ipea e pela Secretaria de Assuntos Estratégicos. 

O autor do estudo e pesquisador do Ipea Daniel Cerqueira esclareceu que os valores obtidos no estudo não significam dispêndio direto do governo ou perda de arrecadação e produtividade econômica com a morte precoce dos jovens. “O cálculo utiliza uma metodologia referente ao custo do bem-estar social, ou seja, o quanto a sociedade percebe que custa a alta taxa de mortalidade letal no País”, afirmou.

A análise utiliza dados do Ministério da Saúde para especificar as causas da violência, o perfil das vítimas e os Estados mais atingidos. Entre as vítimas de homicídio, o perfil é de pretos e pardos, com idades entre 15 e 29 anos. Já para os acidentes e suicídios, os jovens brancos são as principais vítimas. 

Pelo levantamento, Alagoas, Espírito Santo e Bahia, que possuem as maiores taxas de violência letal entre jovens, são os mais afetados. Em Alagoas, o custo dessas mortes representa 6% do PIB e causa uma diminuição de quase três anos na expectativa de vida dos homens em idade entre 15 e 29 anos.

O Seminário também discutiu temas como desemprego, educação profissional e transição produtiva para a vida adulta. O presidente do Ipea e ministro-chefe interino de Assuntos Estratégicos, Marcelo Nery, afirmou que “A juventude não pode ser vista apenas como uma etapa de transição para a vida adulta. Essa etapa representa muitos oportunidades e riscos que precisam ser compreendidos para gerar uma política mais efetiva.”