Moro vs. Lula e o que mais aconteceu nesta terça-feira

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Lula = Cunha

Ao rechaçar com veemência recurso da defesa de Lula contra a sentença em que o condenou a nove anos e seis meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, o juiz federal Sergio Moro comparou o petista ao ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha, preso na Operação Lava-Jato desde outubro de 2016. “Todas as questões relativas ao apartamento tríplex foram objeto de longa análise da sentença”, afirmou. “Assim não fosse, caberia, ilustrativamente, ter absolvido Eduardo Cosentino da Cunha na ação penal 5051606-23.2016.4.04.7000, pois ele também afirmava como álibi que não era o titular das contas no exterior[…] Em casos de lavagem, o que importa é a realidade dos fatos segundo as provas e não a mera aparência.”

Lula critica Moro

“Mentira deslavada”, “farsa”, “grande fábula”, “cheia de inverdades”, “perseguição”. Foi assim que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou, em uma entrevista nesta terça-feira, a sentença do juiz federal Sergio Moro que o condenou a nove anos e seis meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. À Rádio Capital, o petista também fez críticas aos integrantes da Operação Lava-Jato no Ministério Público Federal e na Polícia Federal e afirmou que Moro se comporta tal qual um czar — título dos autocratas que controlaram a Rússia entre os séculos 14 e 19. “Se tem um cidadão brasileiro indignado, sou eu”, disse o ex-presidente.

Jantar da reconciliação?

Procurando rearranjar suas relações, o presidente Michel Temer convidou o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, para um jantar na noite desta terça-feira. A intenção é desfazer a confusão criada depois do encontro do presidente com a líder do PSB. A impressão passada foi a de que o presidente estava preocupado em se defender do aumento da força de Maia no Congresso. Também deve estar presente no encontro o ministro Moreira Franco, que é marido da sogra de Maia.

Bolsa sobe 0,19%

O Ibovespa fechou em alta de 0,19%, com 65.337 pontos. O mercado operou de maneira volátil, com os investidores preocupados com a situação fiscal e a possibilidade de os gastos extrapolarem o permitido pela PEC do Teto dos Gastos, o que levaria a um aumento de impostos no país. As ações mais negociadas do dia foram as da mineradora Vale, que tiveram alta de 0,07% nos papéis ordinários e de 0,32% nos preferenciais devido à alta nos preços do minério de ferro. A maior alta do dia foi da companhia de água e esgoto Sabesp, 2,96%. Nas quedas, destaque para a Ultrapar, cujas ações caíram 3,12%, e para o Grupo Pão de Açúcar, com recuo de 1,99%.

Dólar afunda

O dólar recuou 0,82%, fechando nesta terça-feira cotado em 3,1554 reais. É a terceira queda consecutiva da moeda, que já acumula perdas de 1,65%. Com certa calmaria no ambiente político brasileiro e com a derrota do presidente americano, Donald Trump, em conseguir aprovar uma lei que substituiria o programa de saúde Obamacare, a moeda perdeu força. O dólar caía cerca de 0,5% ante uma cesta de moedas e também perdia terreno sobre divisas de países emergentes, como os pesos chileno e mexicano.

Desembolsos caem

O BNDES divulgou dados relativos aos desembolsos no primeiro semestre do ano. A indústria fechou o período com aporte de 6,92 bilhões de reais, uma queda de 42% em comparação com igual intervalo do ano passado. A agropecuária foi o único setor que apresentou alta, de 3%, alcançando 6,87 bilhões de reais no período. O setor de infraestrutura ficou com 12,11 bilhões no primeiro semestre, um recuo de 6%. Já o setor de comércio e serviços ficou com 7,57 bilhões de reais, uma queda de 13%. As aprovações para aporte tiveram queda de 26% no primeiro semestre, totalizando 32,17 bilhões.

Acordo nuclear com Irã permanece

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decidiu aplicar novas sanções contra o Irã nesta terça-feira, mas manteve o acordo nuclear com o país, indo contra suas promessas de campanha. O acordo com o país está firmado desde 2015 e inclui outras potências, como Rússia, China e França. As novas sanções têm como alvo entidades ligadas ao Exército e ao programa de mísseis iraniano. O governo afirmou que continua a considerar o país uma ameaça e criticou o apoio ao regime de Bashar al-Assad na Síria e as violações de direitos humanos.

O certo pelo nada

Depois de fracassar em conseguir apoio republicano para a nova versão de seu projeto de saúde, o presidente americano, Donald Trump, propôs que o partido “simplesmente revogue” o Obamacare, plano de saúde instituído por Barack Obama. “Nós fomos decepcionados por todos os democratas e alguns republicanos”, escreveu Trump no Twitter. Dois senadores republicanos anunciaram na segunda-feira que não apoiarão a proposta de lei, o que frustrou os planos do presidente — outros três senadores do partido já avisaram que não topam derrubar o projeto sem nada em vista. O projeto inicial de Trump tirava a cobertura de saúde de 20 milhões de americanos.

Venezuela mantém Constituinte

O governo da Venezuela não se intimidou com as ameaças americanas de aplicar sanções econômicas ao país caso a ideia de compor uma Assembleia Constituinte seja mantida. O chanceler Samuel Moncada afirmou, em coletiva, que as eleições estão mantidas para o próximo dia 30 de julho, quando o governo pretende eleger uma equipe para escrever uma nova Constituição. “O povo venezuelano é livre e responderá unido ante a insolente ameaça feita por um império xenófobo e racista”, afirmou o representante do governo. As relações entre os dois países estão capengas desde 2008, quando Hugo Chávez, então presidente, expulsou o embaixador americano do país.

Presos pelo frio

Cerca de 200 brasileiros estão presos, sem poder embarcar de volta ao país, no aeroporto de Bariloche por causa da intensa nevasca que tomou conta da região. Um número ainda indefinido de brasileiros não conseguiu chegar à cidade depois de ter seu voo desviado para o aeroporto de Neuquém e não ter conseguido completar a viagem de ônibus. Há 27 anos não nevava tanto na região, e a temperatura chegou a 25 graus negativos na madrugada de domingo, um recorde histórico na região. Poucos conseguiram vaga em hotéis da região, e a maioria tem de improvisar abrigo no aeroporto, onde falta aquecimento, limpeza e a comida teve preços inflacionados.

Presa pela minissaia 
Uma mulher foi presa na Arábia Saudita após a publicação de um vídeo nas redes sociais em que caminha por um sítio histórico local trajando minissaia e top. A imprensa saudita informou nesta terça-feira que a jovem foi detida por usar “roupas imodestas” que contrariam o conservador código de vestimenta islâmico do país. Na Arábia Saudita, país ultraconservador, as mulheres devem se vestir em público com uma abaia preta, traje tradicional que as cobre dos pés à cabeça.