Ministra que acusou oposição por boato diz que foi “opinião”

Maria do Rosário foi a única integrante do governo a sugerir que boatos sobre Bolsa Família partiram da oposição. Diante da repercussão, ela diz que foi apenas uma “singela opinião”

São Paulo – Dizendo-se tomada de surpresa pela repercussão de sua declaração contra a oposição, a ministra-chefe da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário, voltou atrás e disse que não sabe de onde partiu os boatos que culminaram com agências da Caixa Econômica lotadas com beneficiários temendo perder o Bolsa Família neste fim de semana.

“Quero dizer que não tenho nenhuma indicação formal da origem dos boatos. Singela opinião”, escreveu a ministra no Twitter.

Enquanto o governo evitou dar conotação política aos rumores no sábado e domingo – boatos que se espalharam por pelo menos 12 estados e o Distrito Federal – Maria do Rosário escreveu hoje pela manhã que as informações deveriam ser da “central de notícias da oposição”.

“Revela posição ou desejo de quem nunca valorizou a política”, postou na internet.

As declarações repercutiram amplamente diante da situação delicada que continua até hoje em alguns estados brasileiros. Movimento intenso de cidadãos foi registrado ainda na Bahia, Ceará e Pernambuco, por exemplo, apesar da Caixa Econômica e da ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campello, terem vindo a público dizer que não há qualquer chance de haver paralisação ou mudanças no programa.

Hoje, a presidente Dilma Rousseff chamou o boato de desumano e criminoso, e também não deu qualquer indicação de que o episódio teria motivação política.

A Polícia Federal vai apurar o caso, segundo o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo.

O boato, que se espalhou em grande parte dos casos por boca-a-boca, dizia que só seria possível sacar o benefício até este sábado, provocando uma verdadeira corrida às agências e depredação quando algumas delas ficaram sem dinheiro.

A oposição reagiu hoje às declarações de Maria do Rosário. O líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio, afirmou por meio de nota que vai convocar a ministra para explicar as acusações no Congresso.