Mineira Gasmig quer dobrar de tamanho com novo gasoduto

Com capacidade de transportar 3 milhões m³/d, infraestrutura é uma das apostas da empresa para avançar no fornecimento nas regiões central e sul do Estado,

Rio – A Gasmig, distribuidora de gás natural canalizado de Minas Gerais controlada pela Cemig, planeja dobrar de tamanho em volume de vendas com a construção de um gasoduto entre Betim e Uberaba. Com capacidade de transportar 3 milhões de metros de cúbicos por dia (m³/d) de gás, a infraestrutura é uma das apostas da empresa para avançar no fornecimento nas regiões central e sul do Estado, locais com grande presença de indústrias.

Estimado em R$ 1,8 bilhão, o gasoduto de 457 quilômetros irá abastecer a nova fábrica de fertilizantes da Petrobras, que será construída em Uberaba. Em fase de projeto de básico, a planta consumirá 1,2 milhão de m³/d e ficará pronta em novembro de 2016. Nesse sentido, diretor-presidente da Gasmig, José Carlos de Mattos, diz que o gasoduto tem ficar pronto até março de 2016 para fornecer gás a partir de novembro.

Além de atender a demanda industrial do Triângulo Mineiro, o gasoduto também passará por cidades com mercados potenciais de gás, como Itaúna, Divinópolis, Araxá e Igarapé. “Há uma grande demanda por gás de siderúrgicas, mineradoras e empresas de fertilizantes nessas regiões”, justificou. A Gasmig já vem explorando o mercado industrial mineiro. Desde 2010, a companhia fornece o insumo às indústrias instaladas no chamado Vale do Aço, como Cenibra (papel e celulose) e Arcelor Mittal (siderúrgica).

Embora represente pouco mais de 1% do Ebitda consolidado da Cemig (dado de 2012), o negócio de gás tem ganhado importância no plano estratégico da estatal mineira. Tanto que a empresa foi a primeira do setor elétrico brasileiro a ser aventurar nos leilões da ANP para produzir o próprio gás, seja para vender aos seus clientes por meio da Gasmig, seja para o desenvolvimento de novos projetos termelétricos. As campanhas exploratórias mais promissoras da companhia são em blocos na Bacia do São Francisco (MG).

O interesse se justifica pelos números do mercado mineiro. Até 2020, a Cemig projeta que o consumo de gás no Estado pode alcançar 37,708 milhões de m³/d, quase 10 vezes mais do que o comercializado pela Gasmig hoje – descontado a demanda térmica, que gira em torno de 1,1 milhão de m³/d, o consumo de residências, indústrias, comércio e veículos gira em torno de 2,8 milhão de m³/d, abaixo do potencial do mercado mineiro. Com o novo gasoduto, a companhia alcançaria um mercado total de 7 milhões de m³/d. A Gasmig é, hoje, a terceira maior distribuidora do País, atrás somente da Ceg (RJ) e da Comgás (SP).

Mais do que crescer no mercado de gás, os investimentos em gasodutos integram um plano do governo mineiro para estimular o desenvolvimento da economia local. Dos 37,708 milhões de m?/d previstos para 2020, 26,800 milhões de m?/d viriam da instalação de novas fábricas e novas térmicas. A Cemig projeta a vinda de siderúrgicas, indústrias cerâmicas, vidreiras, petroquímicas e empresas de papel e celulose para Minas Gerais.

A construção do novo gasoduto, que só sairá do papel porque o gasoduto Ribeirão Preto (SP) – Uberaba foi considerado ilegal a luz da Lei do Gás, deverá ser bancada com os recursos da Gasmig, dos sócios da concessionária e da contratação de um financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).