Médico de família é estratégia para fechar as contas da saúde

Exame Fórum Saúde reuniu autoridades e especialistas nesta terça-feira (12), em São Paulo, para debater os rumos da saúde no Brasil

São Paulo – O setor de saúde no Brasil vive um nó de altos custos que só pode ser desfeito com grandes mudanças na gestão estratégica. Resgatar o valor dos médicos de família é um bom começo, segundo especialistas presentes no Exame Fórum Saúde, que acontece nesta terça-feira (12), no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo.

“A conta só vai fechar se mudarmos totalmente a gestão da saúde no país”, disse o presidente do Hospital Israelita Albert Einstein, Sidney Klajner. Para ele, um dos caminhos para tornar o sistema mais eficiente é melhorar o acesso à informação e à medicina de família, para evitar que o paciente chegue ao pronto socorro ou faça exames sem real necessidade.

“Uma dor na perna pode ser examinada pelo médico de família e pode ser tratada sem um exame de ressonância, se dermos informação suficiente para que o paciente saiba qual serviço de saúde procurar. Só assim acabamos com a frequência ao pronto socorro de forma indevida e com o exagero nos exames”, disse Klajner.

O presidente da Aon, Marcelo Munerato, concorda que a falta de otimização nos processos do setor de saúde leva a um desperdício de recursos. “Plano de saúde é quase um cartão de crédito pré-pago sem limite. Temos que resgatar o valor do médico de família, que é uma das respostas para essa equação em vários países do mundo ”, disse.

Diante desse cenário, o presidente da Aon também questionou o que a comunidade empresarial pode fazer para melhorar a situação.

“Todos nós, empresários, temos grande responsabilidades e oportunidades. Iniciativas desenvolvidas no mundo empresarial podem ser aproveitadas na área pública, mas isso exige uma mudança de estratégia. A medicina de família vale tanto para a iniciativa privada quanto para a pública”, afirmou.

O próprio Hospital Israelita Albert Einstein é um exemplo. O hospital iniciou um programa interno de atendimento aos colaboradores para reduzir os próprios custos com saúde e profissionalizar sua gestão. A instituição também tem programas de saúde da família, em parcerias com o Ministério da Saúde e a prefeitura de São Paulo.

Para o presidente do hospital, outro problema que gera dificuldade para fechar as contas do setor no Brasil é o modelo de remuneração da cadeia no setor. “No Brasil, para diversos elos da cadeia, quanto mais gente doente, melhor. Esse modelo de remuneração por doença é um dos incentivos mais perversos para o aumento dos custos”, disse Klajner.

Veja a entrevista de EXAME com Sidney Klajner, presidente do Hospital Israelita Albert Einstein:

Agora confira a conversa com Marcelo Munerato, presidente da Aon:

Quer assistir ao evento completo? Confira abaixo o vídeo que foi transmitido ao vivo na página de EXAME no Facebook: