Mariz fora; A agenda do PSDB…

Ponte para o futuro?

O presidente do Senado, Renan Calheiros, encontrou-se na tarde desta quarta-feira com o vice-presidente da República, Michel Temer, e o senador Aécio Neves, do PSDB. Na residência oficial do Senado, o presidente do PSDB defendeu uma “agenda emergencial”, que comece com a preservação das investigações da Operação Lava-Jato. Aécio também informou que recebeu uma visita de Temer na qual o vice reiterou a intenção de ampliar a conversa com os tucanos. A conversa faz parte de uma série de reuniões institucionais promovidas por Calheiros para ouvir lideranças políticas sobre o processo de impeachment. Na terça-feira, ele havia recebido o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente Dilma Rousseff, além de líderes de movimentos sociais, como o MST e a UNE.

Ministro relâmpago

O criminalista Antônio Cláudio Mariz de Oliveira teve um possível mandato como ministro da Justiça muito curto. Após entrevistas nas quais falava como novo ministro, o vice-presidente Michel Temer avisou nesta quarta-feira a assessores que seu nome está descartado para assumir a pasta caso o peemedebista assuma a Presidência. Temer considerou as declarações do advogado “erráticas”. Em sua fala, Mariz criticou a forma de fazer delações premiadas e afirmou que a Polícia Federal deveria ter outros focos de atuação além do combate à corrupção. Para Temer, Mariz só reforçou as acusações de que ele teria desejo de arrefecer o trabalho da Operação Lava-Jato. Ambos são amigos há décadas.

Ministério sem ministro

O ministro da Saúde, Marcelo Castro, deve entregar sua carta de demissão à Dilma Rousseff ainda nesta quarta-feira. Ele sofria pressão de seu partido, o PMDB, para deixar o cargo após outros peemedebistas terem abdicado das pastas. Com sua saída, chega a dez o número de ministros interinos no governo.

Divórcio litigioso I

A presidente Dilma Rousseff admitiu nesta quarta-feira que seu afastamento temporário do cargo é “inevitável”. Neste momento, o Senado vota se aceita ou não a decisão da Câmara de afastá-la. Dilma começou a traçar uma agenda para defender seu mandato no processo de julgamento do impeachment no Senado, que deve acontecer até setembro ou outubro. A presidente não quer deixar para Temer medidas que foram elaboradas em seu governo, como licitações em aeroportos, concessões de portos e medidas tributárias, como mudanças no Supersimples. A ideia do governo é retirar de Dilma uma pecha de derrotada e mostrar que ainda tem apoio popular.

Divórcio litigioso II

Deputados do PT reuniram-se nesta terça-feira e decidiram que não haverá transição de governo, processo no qual há transmissão de informações sobre cada pasta e sobre o cenário das políticas públicas vigentes. O encontro, que foi comandado pelo presidente do PT, Rui Falcão, teve a participação do ministro da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini.

Novas eleições I

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva evitou falar sobre a possibilidade de convocar novas eleições neste ano ao se encontrar com senadores na manhã desta quarta-feira. No Senado, uma PEC foi protocolada na última semana. Em seu texto, está prevista a antecipação das eleições presidenciais para outubro. Segundo senadores que participaram do encontro, Lula não se posicionou sobre o assunto e disse que iria refletir.

Novas eleições II

Após o encontro com Lula, os senadores se encontraram, à tarde, com a ex-presidenciável Marina Silva, da Rede, e com interlocutores do PCdoB. Eles tentam um encontro com Aécio Neves, presidente do PSDB.

Salvando Cunha

Os deputados do PMDB trabalham majoritariamente com a ideia de ajudar o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, a se salvar do processo de cassação de seu mandato que corre no Conselho de Ética. A ajuda, segundo o jornal O Estado de S.Paulo, deve vir da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), responsável por analisar recursos que vierem do processo no conselho. Neste ano, o PMDB tem a prerrogativa de apontar o presidente da comissão. Ou seja, possivelmente pode ser lançado um aliado do peemedebista, o que evitaria que o processo fosse ao plenário da Casa, onde os resultados são mais imprevisíveis e a chance de Cunha diminui.

União X estados
O julgamento das ações que estados enviaram ao Supremo Tribunal Federal sobre o cálculo da dívida deles com a União deve ser adiado. Segundo o site Jota, há consenso entre os ministros de que a sessão deve ser prorrogada para que as partes possam negociar diretamente. Apesar disso, o Tribunal se mostrou mais favorável à tese do governo, de que os juros das dívidas devem ser calculados por juros compostos — e não simples, como pleiteiam os estados.