Marielle Franco vira capa do Washington Post

Se a intenção era calar uma voz que denunciava a violência no Rio, o tiro saiu pela culatra, segundo o jornal americano

São Paulo – O jornal norte-americano The Washington Post destacou em sua primeira página nesta terça-feira (19) o assassinato da vereadora Marielle Franco, do PSOL do Rio de Janeiro. A reportagem afirma que, depois de sua morte, ela se transformou em um “símbolo global da opressão racial”.

O texto, assinado por Anthony Faiola e Marina Lopes, destaca que os protestos em defesa de Marielle e exigindo providências tomaram não só as capitais brasileiras mas também metrópoles no exterior, como Nova York (Estados Unidos), Londres (Inglaterra), Paris (França), Munique (Alemanha), Estocolmo, Lisboa (Portugal) e Madri (Espanha).

Se a intenção era silenciar uma figura política cada vez mais notória que denunciava a corrupção policial, o efeito obtido foi o contrário, segundo a reportagem. O texto lembra que hashtags de conscientização tomaram as redes sociais pelo mundo, criando uma corrente de apoio entre pessoas de vários países. Até a top model Naomi Campbell postou em sua conta no Twitter: “Vamos, Brasil, levante-se”.

A publicação pondera que, no Brasil, no entanto, o assassinato de Marielle gerou reações divergentes, evidenciando as divisões raciais que muitos brasileiros negam existir. O texto destaca as manifestações de figuras públicas brancas que pediram para que a questão não fosse examinada do ponto de vista do racismo, para não “criar” uma divisão que não existe.

A reportagem continua dizendo que, para parte da militância e do movimento negro, esse tipo de atitude é parte do problema. Outros políticos brancos também levantavam bandeiras contra a corrupção policial, mas Marielle foi assassinada, segundo seus apoiadores, porque a morte violenta de negros e, especialmente, de negras, teria menos repercussão no Brasil.

Só uma fração dos protestos, narra o jornal, tinha um viés claramente racial. As manifestações atraíram menos gente do que outras causas políticas às ruas. A esperança de algumas pessoas do movimento negro é de que o debate sobre a questão de raça ganhe impulso no país.

O Washington Post fez, ainda, uma recapitulação histórica sobre o tema no Brasil, lembrando que o país importou 4 milhões de escravos na época da colonização. Eles explicam que, desde então, o mito da democracia racial tem servido para silenciar o debate sobre racismo no país.

Para os críticos da visão da democracia racial, os números falam por si próprios, mostra o texto: os negros são 54% da população do país, mas 71% das vítimas de homicídios. Entre 2005 e 2015, a proporção de negros e pardos mortos subiu 18%, enquanto a de brancos caiu 21%.

 

Comentários

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  1. É impressionante a falta de escrúpulos da esquerda. A “elite branca brasileira” não considera que este seja um ato de racismo (se referindo ao assassinato da vereadora). Isso é oque eles estão dizendo para os gringos, que a Marielle só foi assassinada por ser negra. Estão alimentando uma guerra racial que não existe. Se fosse um homem loiro dos olhos azuis que atrapalhasse os negócios da milícia, por exemplo, também seria morto, isso se realmente for da milicia a responsabilidade deste crime. É inacreditável e lamentável a quantidade de imbecis se promovendo. Até a completa idiota da Dilma Roussef veio dizer que este assassinato “é mais uma etapa do golpe”. Impressionante. Que escrotidão.