Manifestantes protestam na sede do governo de SP por paz em Paraisópolis

Após operação policial que acabou com nove mortos, grupo pretende entregar uma série de reivindicações ao governador João Doria

São Paulo — Quatro dias após a operação policial que deixou nove mortos na comunidade de Paraisópolis, em São Paulo, moradores, familiares das vítimas e ativistas realizaram na noite desta quarta-feira uma passeata até o Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, para pedir paz e justiça. O protesto foi barrado pela polícia a poucos metros do prédio, mas lideranças pretendem entregar reivindicações ao governador João Doria.

A manifestação partiu da Rua Ernest Renam, onde tradicionalmente é realizado o baile DZ7, no coração de Paraisópolis, e marchou cerca de três quilômetros até o Palácio. Além de homenagens às nove vítimas, os manifestantes protestaram contra a violência policial e fizeram críticas à Polícia Militar, João Doria e até mesmo o presidente Jair Bolsonaro.

Os moradores gritavam: “Não foram pisados, as nove vítimas morreram assassinados”, “funk é cultura”.

“A gente veio até aqui de forma pacífica, então nada mais justo do que ele (Doria) nos receber, até mesmo pela gravidade do tema, pela dor e sofrimento que está passando a comunidade. Então a gente não acha que o governador, que já foi insensível tantas vezes, vá ser insensível de novo e não falar com a gente”, declarou Maurício Costa, liderança de Paraisópolis e amigo da família de Dennys Henrique, vítima da operação.

Os moradores contestam a versão da PM, de acordo com a qual as vítimas morreram pisoteadas durante o tumulto causado na ação policial que teria iniciado de uma perseguição contra atiradores. Diversas imagens mostram agentes agredindo e encurralando pessoas que estavam presentes no baile.

“O que aconteceu foi criminoso, já estava previsto que ia acontecer. Enquanto periferia, a gente não pode deixar isso ser em vão. A população preta, pobre e periférica está morrendo. A polícia tem a missão de nos proteger, não de nos matar. O Estado precisa ser responsabilizado”, afirma Elizandra Cerqueira, presidente da Associação das Mulheres de Paraisópolis.