Major, cabo, juiz: no Legislativo, corporações versus reformas

Eleitores escolheram deputados e senadores conservadores com pouco apreço pelo liberalismo

Policial Katia Sastre, do PR/SP, Major Fabiana, do PSL/RJ, Cabo Junio Amaral, do PSL/MG… são muitos os nomes de deputados federais eleitos que representam corporações como militares e policiais militares. Essa é uma boa notícia para uma futura base de um governo Jair Bolsonaro, caso seu favoritismo se confirme no segundo turno. Mas essa turma pode significar dificuldades adicionais para a agenda reformista, qualquer que seja o novo presidente. Corporações como militares, policiais, juízes e promotores saem ainda mais fortalecidas desta eleição e tendem a ter grande resistência a pautas como a reforma da previdência.

Major Olimpio (PSL/SP), senador eleitor por São Paulo e grande apoiador de Bolsonaro, foi ferozmente contra a reforma da Previdência proposta pelo governo Temer, quando ainda era deputado federal. Em março de 2017, Olimpio declarava contra a reforma: “Há décadas ladrões, criminosos da pior espécie, travestidos de “governo”, desviaram e se apropriaram dos recursos da Previdência, em benefício próprio e agora o governo espera que os servidores paguem essa conta”. O agora senador duvidava até da existência de um rombo na previdência. Vai mudar de opinião agora?

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Para Carlos Ari Sundfeld, professor da Fundação Getulio Vargas e um dos maiores especialistas em direito constitucional no país, a ampliação das corporações públicas no Congresso pode significar uma trava para o novo governo. “O Congresso que se configura aí não tem nada de liberal. E Bolsonaro terá que conquistar o apoio dessas corporações para fazer frente à forte oposição que terá dos partidos tradicionais, que saíram enfraquecidos desta eleição, não creio que ele poderá propor reformas que atinjam os interesses dessas corporações”, disse Sundfeld a EXAME. “Em última instância, essas corporações podem até impedir a reforma da previdência. Será um grande nó para o próximo presidente.”