Mais gente na disputa

As campanhas municipais mal começaram e já sofreram uma reviravolta. Até ontem, somente candidatos de partidos com pelo menos dez representantes na Câmara dos Deputados eram convidados a participar dos debates. Agora, a definição fica nas mãos das emissoras de rádio e televisão.

Da maneira que a lei estava colocada, postulantes às prefeituras ficavam fora dos debates mesmo aparecendo bem nas pesquisas. Dois dos maiores prejudicados eram do PSOL. Luiza Erundina, que está em terceiro em São Paulo, e Marcelo Freixo, segundo no Rio, não participaram dos debates televisivos realizados nesta semana – o debate carioca aconteceu ontem.

Nos Estados Unidos, a regra diz que, para um candidato ser convocado aos debates, ele precisa ter chances de conseguir maioria de delegados, além de atingir 15% nas pesquisas eleitorais. No Brasil, a polêmica surgiu com a mudança da lei eleitoral, realizada em 2015, com a intenção de restringir o poder de partidos pequenos. Antes, qualquer sigla com pelo menos um deputado tinha que ser convidada – o que brindava o eleitor com os Levy Fidelix da vida.

Qual o resultado concreto da mudança para os nanicos? “Estar no debate é importante, mas em eleições com dinheiro escasso, como as de 2016, o tempo de TV e o tamanho do partido, com capilaridade país afora, são fatores mais decisivos”, diz Lucas de Aragão, analista político da Arko Advice.

Se a decisão do Supremo não muda cenários, certamente não atrapalha. O PSOL vem crescendo no espaço aberto pelo descontentamento da esquerda com o PT, graças ao envolvimento com a Lava-Jato e o distanciamento de pautas históricas. O partido lidera as pesquisas em Porto Alegre, com Luciana Genro, e em Belém, com Edmilson Rodrigues. As corridas municipais já estavam marcadas pela ausência de favoritos nas grandes cidades – agora, ficaram ainda mais indefinidas.