Irã e Brasil querem criar pontes entre América Latina e Ásia

Em um encontro com a imprensa depois de se reunirem na sede da chancelaria iraniana, Zarif ressaltou o desejo do Irã de melhorar seu laços com o Brasil

Teerã – Irã e Brasil impulsionarão suas relações para criar pontes para a presença iraniana na América Latina e a brasileira na Ásia Central, um acordo assinado entre o ministro de Relações Exteriores do Irã, Mohamad Javad Zarif e o ministro brasileiro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Armando Monteiro.

Os ministros se reuniram ontem à noite, parte da agenda da visita oficial de três dias de Monteiro, que chegou à capital iraniana acompanhado por um grande grupo de empresários, informou a agência iraniana “Irna” nesta terça-feira.

Em um encontro com a imprensa depois de se reunirem na sede da chancelaria iraniana, Zarif ressaltou o desejo do Irã de melhorar seu laços com o Brasil, “dada sua especial posição na América Latina e no grupo dos Brics das maiores economias emergentes”, informou hoje a agência iraniana “Irna”.

O ministro também destacou as “amplas possibilidades para abrir caminhos” e permitir o acesso do Brasil “aos novos mercados da Ásia Central que têm uma população de 350 milhões de pessoas”.

“O Brasil sempre esteve entre nossas prioridades de política externa. Agora estamos buscando um novo mapa para desenvolver estes interesses comuns, em que empresas de ambos os países e as instituições econômicas e bancárias podem ter um importante papel”, acrescentou.

Além disso, Zarif apontou que Brasil e Irã têm agora grandes oportunidades para fortalecer sua cooperação em campos como a tecnologia, a biotecnologia, a energia e o gás.

A delegação brasileira também se encontroou com o ministro da Indústria iraniana, Mohamad Reza Nematzade, que apontou a possibilidade de uma maior cooperação bilateral na indústria aeronáutica.

Ele ressaltou o interesse de Teerã em cooperar com o Brasil na indústria da aviação civil e na construção de aviões de treinamento, assim como na troca de informação nesse campo.

Já Monteiro elogiou todos estes potenciais para o investimento brasileiro no Irã e destacou que o atual volume do comércio bilateral, estimado em US$ 1,4 bilhão “está muito abaixo das capacidades reais dos dois países”.

Monteiro chegou à Teerã junto com representantes da Agência Brasileira para a Promoção de Exportações (Apex), de organismos empresariais, como a Confederação Nacional da Indústria (CNI), e de 24 empresas dos mais diversos setores produtivos.

Também integram a delegação funcionários dos ministérios de Relações Exteriores, de Minas e Energia e de Agricultura, assim como diretores da Petrobras e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Desde o anúncio em 14 de julho de um acordo sobre o programa nuclear do Irã que acabará com as sanções internacionais sobre sua economia, dezenas de delegações internacionais já se aproximaram de Teerã para mostrar interesse por seu mercado.

A delegação brasileira é a primeira de alta categoria que chega ao país desde a América do Sul, em uma corrida que foi liderada por países europeus como Alemanha, Itália, França e Espanha.