Invista e elas virão?

A meta do comitê olímpico brasileiro, de terminar os Jogos entre os dez maiores medalhistas, ficou mais próxima ontem. A judoca Rafaela Silva sobre a mongol Dorjsürengiin Sumiya deu o primeiro ouro ao Brasil no Rio. Mas o caminho ainda é longo. Em Londres, fomos 22º; em Pequim, 23º.

As próximas duas semanas vão mostrar se, com mais dinheiro e mais investimento é possível um salto desse tamanho em apenas quatro anos. O governo investiu mais de 4 bilhões de reais na chamada Rede Nacional de Treinamento, com a construção de centros de iniciação esportiva, pistas de atletismo e estrutura para uso olímpico – deste valor, 207 milhões foram para unidades militares, onde treinam atletas como Rafaela Silva. Já o Bolsa Atleta, maior programa de patrocínio esportivo individual e direto do mundo, teve orçamento de 600 milhões ao longo da década – foram 158 milhões em 2015, contemplando mais de 6.000 atletas.

Apesar do início ruim da natação, e de quedas de favoritos no judô, as chances de pódio ainda são muitas. Seguindo a tradição brasileira na vela, Martine Grael pode fazer jus ao sobrenome e levar o ouro na categoria 49er FX junto à parceira Kahena Kunze. Na ginástica, Arthur Zanetti, nas argolas, Diego Hipólito, no solo, e Flávia Saraiva, na trave, têm chances de pódio. Nos vôleis, a expectativa é alta na praia e na quadra, e tudo segue em paz por ora – mesmo com a derrota que impediu Alison e Bruno de se classificarem antecipadamente nesta segunda-feira. No tênis, Marcelo Melo e Bruno Soares podem trazer a primeira medalha brasileira no esporte, assim como Allan do Carmo e Ana Marcela Cunha na maratona aquática. Os times de futebol e handebol também são candidatos.

Fora eles, novidades podem pintar nos esportes menos esperados – nossa primeira medalha veio no tiro, com Felipe Wu. É torcer pelas medalhas, e pela continuidade dos investimentos para Tóquio, em 2020. No esporte, assim como na política, o foco no longo prazo costuma trazer melhores resultados que as guinadas do dia-a-dia.