Inerte contra fake news, TSE mostra estar parado no século 20

Os eleitores de Jair Bolsonaro (PSL) são os mais organizados na divulgação de conteúdo online (tanto falso como verdadeiro)

A campanha eleitoral pode ter cessado no rádio e na televisão, mas segue com força total nas redes sociais, turbinada por notícias falsas, aumentadas e distorcidas. Entre as novidades desta sexta-feira está uma mensagem atribuída a Manuela D’Ávila, vice na chapa de Fernando Haddad, prevendo o fim do cristianismo: “nós somos mais populares que jesus neste momento”.

O projeto Comprova, coletivo que reúne jornalistas de 24 veículos para checar informações, revelou que a frase é, na verdade de John Lennon. Atribuí-la a Manuela D’Ávila pode parecer absurdo — a chapa petista, afinal, não consegue nem ser a mais popular do Brasil. Mas é de absurdo em absurdo que as notícias falsas vão mudando voto atrás de voto em 2018.

Os eleitores de Jair Bolsonaro (PSL) são os mais organizados na divulgação de conteúdo online (tanto falso como verdadeiro). Segundo o Datafolha, a taxa dos eleitores de Bolsonaro que compartilham conteúdo por WhatsApp é o dobro dos eleitores de Hadda — 40% a 22%. Mas isso não significa que não sejam eles mesmos vítimas de mentiras. Ontem o Comprova mostrou que o vice de Bolsonaro, Hamilton Mourão, jamais propôs o confisco da poupança — ele propôs, isso sim, o fim do 13o salário, um novo imposto no estilo da CPMF e uma comissão de notáveis para reformar a constituição.

O vale-tudo nas redes sociais revela a ineficácia do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para combater as notícias falsas que já haviam marcado eleições importantes mundo afora, como a dos Estados Unidos.

Segundo revelou o Estadão, o Conselho Consultivo sobre Internet e Eleições, criado justamente com este fim, vai se reunir pela primeira vez na próxima quarta-feira 10. A última reunião foi no dia 4 de junho. Pior, um integrante do conselho disse ao jornal que “o eleitor brasileiro está vacinado contra as fake news”.

O conselho foi criado na gestão de Gilmar Mendes à frente do TSE no final de 2017. Entre as dificuldades enfrentadas pelo órgão estão a dificuldade de monitorar usuários sem autorização da Justiça. Segundo o TSE, o combate às fake news demanda esforços “que vão além” da Justiça Eleitoral. O problema é que os demais órgãos do Judiciário tampouco são conhecidos pela agilidade. Em 2018, as eleições brasileiras finalmente chegaram ao século 21. Nossa Justiça continua parada no século 20.