Imbassahy no lugar de Geddel

Líder do PSDB na Câmara, o deputado federal Antonio Imbassahy (BA) foi o escolhido por Michel Temer para ser o novo ministro da Secretaria de Governo. O engenheiro eletricista é aliado de Aécio Neves e recebeu convite para suceder Geddel Vieira Lima nesta quinta-feira. O ex-ministro, como se sabe, pediu demissão após ser acusado pelo também ex-ministro Marcelo Calero, da Cultura, por ter pressionado para derrubar um embargo a um empreendimento imobiliário em Salvador.

Com a decisão, a estratégia do governo é matar dois coelhos com um só golpe. Por um lado, o Planalto dá mais espaço em um momento em que os tucanos vinham aumentando o tom das críticas a Temer. Segundo interlocutores de Temer disseram ao jornal Folha de S. Paulo, o presidente entende esse momento como a hora de “segurar o tucano pelo rabo para evitar que ele saia voando”. Por outro, tira do caminho um forte candidato à presidência da Câmara dos Deputados, um artifício que serve de apoio a Rodrigo Maia (DEM-RJ) como candidato único da base governista. Para isso, Maia precisa encontrar uma brecha jurídica para se reelegar — o que não vem sendo um problema em Brasília.

Mas, como diria Newton, há sempre uma reação. Líderes do Centrão enxergaram na medida uma forma de preteri-los de participar no poder. Com o caminho livre para Maia, o principal candidato que já se anunciou na disputa, Rogério Rosso (PSD-DF), perderia vigor na disputa. “Acho uma péssima ideia. Não que ele [Imbassahy] seja uma pessoa do mal, mas isso é uma interferência clara do governo no processo que se avizinha”, disse Jovair Arantes ao jornal O Estado de S. Paulo.

A fatura já se anuncia com uma mobilização dos líderes dos partidos, que somam interesses de quase 200 deputados, para travar a Reforma da Previdência. A ideia é votar contra a proposta na votação de admissibilidade do projeto na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, agendada para a quarta-feira 14. Os períodos de tranquilidade, no Planalto, não duram mais de 24 horas.