IBGE acena com negociação a sindicato de grevistas

Representantes do sindicato nacional dos servidores estiveram reunidos no fim da manhã com a presidente do IBGE, Wasmália Bivar, e membros do conselho diretor

Rio – A direção do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) concordou nesta terça-feira, 10, em mediar a negociação entre os servidores em greve e o Ministério do Planejamento, ao qual o órgão é subordinado.

Representantes do sindicato nacional dos servidores, o ASSIBGE-SN, estiveram reunidos no fim da manhã com a presidente do instituto, Wasmália Bivar, e membros do conselho diretor.

Wasmália se comprometeu em marcar uma reunião ainda esta semana com a Secretaria de Relações de Trabalho do Ministério para que a executiva nacional do ASSIBGE apresente a pauta de reivindicações dos grevistas.

As informações foram passadas pelos representantes do movimento grevista aos funcionários, em assembleia em frente à sede do IBGE, no início da tarde, no centro do Rio de Janeiro.

“Acreditamos que foi um aceno importante por parte da direção. Não podemos deixar de reconhecer isso”, disse Ana Magni, diretora da executiva nacional do ASSIBGE-SN.

Segundo o sindicato, a presidente se comprometeu a estar presente na reunião e reivindicar também a valorização salarial dos servidores ao mesmo patamar de órgãos como o Ipea e o Banco Central.

A direção não se pronunciará sobre as demais reivindicações dos grevistas, como a realização de concursos públicos e a exigência de recomposição do orçamento do IBGE, mas também se comprometeu a não se opor à pauta.

“O compromisso deles era pedir a reunião, estar presente e fazer a costura da negociação com o Ministério do Planejamento”, disse Susana Drumond, também diretora da ASSIBGE-SN.

Diante dos avanços, diminuíram as tensões entre a direção e os funcionários do órgão.

Os sindicalistas baixaram o tom em relação à exigência de entrega dos cargos de Wasmália e de membros do conselho diretor.

“Nós mantemos a crítica ao modelo de gestão. Trocar a Wasmália ou o conselho diretor, mas manter esse modelo de gestão, não nos interessa. Ter uma mudança de nomes hoje não resolveria”, disse Ana, esclarecendo que o sindicato busca substituir o regime de indicação de diretores pelo governo por um modelo em que os próprios funcionários elegem as chefias.

A relação de Wasmália com o corpo técnico vinha abalada desde que a presidente anunciou a suspensão das divulgações da Pnad Contínua, no início de abril.

A decisão mergulhou o instituto em uma crise institucional. Após semanas de discussões, a direção recuou e decidiu manter o calendário original da pesquisa.

Técnicos da Pnad Contínua presentes à assembleia de servidores disseram que etapas fundamentais da pesquisa estão paradas por conta da greve.

Funcionários que fazem a seleção das áreas para a coleta de dados e o tratamento das informações apuradas não estão trabalhando desde que a paralisação começou, há duas semanas.

Apesar da liminar concedida pela Justiça para que o sindicato mantenha ao menos 70% da força de trabalho em atividade durante a greve, sob pena de multa diária de R$ 100 mil, Ana Magni diz que não houve recuo no movimento.

“Não estamos falando em porcentual (de adesão), mas não houve recuo. Não dá para entrar numa reunião com o governo com uma greve fraca e desmobilizada”, defendeu a diretora.

O IBGE informou que a presidente Wasmália Bivar não conversaria com a imprensa, mas que o órgão divulgaria um comunicado ainda hoje sobre a reunião.