Hora de urgência. Será?

As investigações avançam, até aqui, sem grandes descobertas. O conteúdo da gravação feita pela caixa-preta do avião que levava o ministro do Supremo Tribunal Federal Teori Zavascki mais quatro pessoas não indica problemas no avião nos momentos antes da queda. Em 30 minutos de áudio, os técnicos do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) identificaram que o piloto, Osmar Rodrigues, tentou por duas vezes pousar a aeronave, mas não completou a ação. O avião bateu a asa direita na água quando realizava uma curva e caiu. Todos os passageiros morreram.

Durante a gravação, o piloto entra em contato com outros aviões para falar sobre as condições do tempo. Ele chega a dizer que vai esperar a chuva parar para fazer a aterrissagem. As indicações que ele dá durante as tentativas de pouso, de acordo com especialistas, são normais, não mostrando anormalidades.

A causa da morte de Teori é apenas a primeira das lacunas a serem preenchidas. A segunda é em relação à relatoria da Lava-Jato, que era exercida pelo ministro. A presidente do Supremo e juíza de plantão durante o recesso, Cármen Lúcia, autorizou que os juízes auxiliares de Teori continuassem os trabalhos com vistas à homologação da delação premiada da Odebrecht. Durante o fim de semana, especulou-se que ela própria poderia homologar o caso, por se tratar de uma “urgência”, mas a possibilidade diminuiu depois que o ministro Marco Aurélio Mello se colocou contra.

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu urgência aos trâmites, e que a relatoria seja redistribuída a outro ministro da Corte, o que é o mais provável. Outra opção seria esperar a indicação de um ministro pelo presidente Michel Temer. O favorito, neste caso, é o ministro Edson Facchin, que era o mais ligado ao ministro morto. Para isso, Facchin teria de mudar para a segunda turma, onde estava Teori, e contar com a aprovação dos outros membros.

Outra discussão aberta é sobre quem seria o ministro indicado por Temer. O favorito é o presidente do Tribunal Superior do Trabalho Ives Gandra Martins Filho, de 57 anos. Eles é filho do também jurista Ives Gandra, amigo de Temer há mais de 40 anos, segundo o próprio presidente. É visto como ultraconservador, membro da Opus Dei e já defendeu em suas obras que a mulher casada deve submissão ao marido. Apesar da pressa de Janot, não há a menor pista de quando a cadeira vazia será ocupada.