Haddad quer plano de contingência para crise da água

O dirigente também foi questionado a respeito das novas sacolinhas nas cores verde e cinza, que passarão a ser obrigatórias daqui a 60 dias na cidade

São Paulo – O prefeito Fernando Haddad (PT) disse nesta quinta-feira que levará ao comitê criado pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) para lidar com a crise da água a proposta de um plano de contingência que envolva diferentes cenários de desabastecimento hídrico.

“Temos que ter um plano de contingência, elaborado, com cenários. Então, cenário A, vamos supor, o menos dramático. Quais são as medidas preventivas? O pior cenário, qual é? Quais as medidas que vão ser tomadas? Isso se chama plano de contingência. Você elabora cenários e para cada cenário, as medidas que cada um vai tomar, os prefeitos, o governador, até a União pode participar desse esforço”, afirmou o petista, que foi convidado pelo tucano a participar do comitê.

“Diante da situação, a gente não pode perder mais tempo. Temos que enfrentar e, para isso, toda a transparência e mobilização, sobretudo dos gestores públicos.”

Haddad quer ainda sugerir a criação de um órgão executivo nesse comitê.

“A título de exemplo, estamos identificando um aumento dos casos de dengue, provavelmente associado à questão da reservação da água de forma imprópria. Faremos uma campanha de comunicação. Como? Então, tem que ter um comitê executivo que já responda ao problema da crise hídrica, que vai repercutir não só no abastecimento, pode repercutir na saúde, na segurança pública.”

Ainda sobre a questão da água, o prefeito comentou a multa de R$ 1 mil aprovada na quarta-feira, 4, pela Câmara Municipal para quem for flagrado lavando carros e calçada com água da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).

Haddad disse que a proposta votada pelos vereadores destoa do projeto que Alckmin lhe encaminhou.

Essa propositura previa uma advertência antes da aplicação de penalidades.

“Então, vamos levar à consideração dos vereadores a minuta proposta pelo governador, que prevê, antes da multa, uma advertência, justamente para que haja um efeito pedagógico sobre a população. Foi suprimida a advertência e dobrado o valor da multa. Talvez seja o caso de reconsiderar. O próprio PSDB da Câmara acho que poderia fazer uma revisão da sua postura e, em vez de propor uma coisa que destoa daquilo que foi proposto para 39 prefeitos, somar forças e tornar coerente com a Região Metropolitana como um todo.”

O dirigente também foi questionado a respeito das novas sacolinhas nas cores verde e cinza, que passarão a ser obrigatórias daqui a 60 dias na cidade.

O prazo para o início da distribuição do material foi adiado por dois meses, a pedido da indústria, que não teria conseguido produzir sacolinhas suficientes a tempo.

As sacolinhas verdes servirão para o descarte de lixo seco e reciclável, como papel, plástico, metal e vidro. As cinza, para os demais tipos de detritos.

“Se a indústria está pedindo algumas semanas para se adaptar, como é a primeira cidade do Brasil a fazer, penso que podemos fazer essa pequena concessão. Desde que tenhamos o compromisso de que é para valer.”