Grosso da cocaína boliviana vai para Brasil e Europa, diz diplomata

Murilo Vieira Komnisky, que trabalha na embaixada brasileira em La Paz, disse que 60% da droga vai para os dois destinos

La Paz – O grosso da cocaína de procedência boliviana vai para o Brasil e depois para a Europa, informou nesta sexta-feira à AFP o primeiro secretário da embaixada brasileira em La Paz, Murilo Vieira Komnisky.

“Hoje em dia, 60% da droga da Bolívia vão para o Brasil, 20% vão para a Argentina e 20%, para o Chile; são estimativas. Quarenta por cento (dos 60%) da droga boliviana fica no Brasil e o restante vai para a Europa”, afirmou Vieira, principal responsável da área de segurança da representação.

Ele explicou que esta informação se baseia nos percentuais de apreensões que o Brasil faz e da troca de informações entre os países da região.

Vieira explicou que o Brasil lida com os mesmos dados das Nações Unidas, segundo os quais a Bolívia tem capacidade para fabricar 115 toneladas de droga ao ano, ao que se deve somar o entorpecente de origem peruana que usa o território boliviano como ponte.

Bolívia e Peru, ao lado da Colômbia, são os principais produtores mundiais de cocaína e cultivadores de folha de coca, sua matéria-prima.

Segundo o governo boliviano, as apreensões anuais da droga, um dado para estimar o volume de entorpecente que circula, beiram as 30 toneladas, embora tenha as autoridades afirmem que 50% procedem do Peru. Calcula-se que só se consiga apreender 15% do que se produz.

O diplomata esclareceu que não é possível detalhar a quantidade exata de droga boliviana e peruana que chega.

“Estamos falando de estimativas, porque não há dados concretos; o narcotráfico é como a água que se move, que busca por onde sair”, comparou o funcionário da embaixada em alusão à quantidade que representa este 40% que ficam no Brasil.

“É um tema que nos preocupa e estamos atentos para aprofundar a cooperação (antidrogas) com a Bolívia”, afirmou o diplomata, pois segundo ele “houve uma alta no nível de consumo de droga no Brasil nos últimos 8 ou 10 anos” que gerou, no período, “900.000 consumidores”.

Desde o ano passado, o Brasil faz parte de um acordo ainda não negociado com a Bolívia e os Estados Unidos para monitorar a erradicação de cocais, um trabalho central no combate ao narcotráfico.