Governo só aprovará Previdência negociando com partidos, diz professor

O governo Bolsonaro precisará mudar seu modelo de negociação com o Congresso, avalia o cientista político David Fleischer

São Paulo – O governo do presidente Jair Bolsonaro precisará mudar seu modelo de negociação com o Congresso para aprovar uma reforma da Previdência, avalia o cientista político David Fleischer, professor da Universidade de Brasília (UnB).

Ao comentar a reeleição de Rodrigo Maia (DEM-RJ) na presidência da Câmara, o especialista diz que o parlamentar fluminense tenta se valorizar ao sinalizar que o texto terá uma tramitação mais longa do que a esperada pelo governo.

“Tem que negociar com os partidos, negociar com frente parlamentar não dá. Essa é a regra do jogo. A vida parlamentar é assim”, afirma o analista. Na sexta-feira, dia 1º, após ser reeleito, Maia criticou a articulação política do governoe disse que “no curto prazo” não há 308 votos necessários para a aprovação da proposta de mudança no sistema de aposentadorias do País.

Para David Fleischer, a “vontade política” do governo e do Congresso é que será a chave para aprovação de uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) na Câmara e no Senado. A estratégia da equipe econômica é propor alterações na reforma que já está em tramitação na Câmara, eliminando algumas etapas e agilizando a tramitação.

Maia, no entanto, sinalizou em outro sentido: “A princípio não concordo não, a princípio acho que você vai suprimir, vai apensar PEC’s em momentos distintos, em situações distintas e essa supressão do direito parlamentar me parece que é uma supressão, não quero falar porque não estudei ainda, mas não vou suprimir nada de tramitação que não tenha uma base regimental muito forte de fazê-lo.”

Na avaliação do cientista político, Maia quer destacar o papel do Legislativo no processo, mas, em uma negociação, poderá mudar de ideia. “Ele já tentou se valorizar e já deu uma sacudida no governo para mostrar que o Legislativo é um poder independente. Não sei se vai terminar assim”, diz o professor, acrescentando que é possível votar a medida ainda no primeiro semestre deste ano se houver “vontade política”.