Garis mantêm greve no Rio, enquanto lixo segue espalhado

Grevistas afirmam que 70% dos trabalhadores estão parados; presidente da Comlumb assegura que número é de apenas 35%

Rio de Janeiro – Uma grande parte dos garis decidiu manter a greve iniciada no Rio de Janeiro há sete dias para reivindicar melhorias salariais e trabalhistas, enquanto o lixo segue espalhado nas ruas da cidade, incluindo seus cartões postais.

De acordo com os grevistas, 70% dos 4 mil trabalhadores da Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb) continua de braços cruzados, e o presidente da empresa pública, Vinícius Roriz, assegura que apenas 35% dos funcionários estão parados, seja por adesão à grave ou por medo de contrariar os demais servidores.

Nesta sexta-feira, sétimo dia consecutivo de greve, um grupo com cerca de 500 garis – segundo a polícia militar – se manifestou em frente à sede da Prefeitura para dizer que a paralisação será mantida até que o prefeito Eduardo Paes aceite negociar diretamente com os grevistas.

A greve, no entanto, não conta com o apoio do sindicato majoritário da Comlurb, embora alguns manifestantes tenham dito que o mesmo não representa a classe e que não o aceitariam como intermediário.

De acordo com a apuração da Agência Efe, a manifestação foi realizada de maneira pacífica, e o Batalhão de Choque da Polícia Militar, que chegou ao local com várias unidades, se manteve à margem e não atuou em nenhum momento para dispersar os garis.

Os grevistas asseguraram que a maioria dos trabalhadores da Comlurb está de acordo com a greve, mas que não se atrevem a protestar devido às pressões exercidas pela empresa municipal.

A greve foi iniciada no último sábado, mas, na segunda, a Prefeitura anunciou um acordo para aumentar o salário dos garis em 9%, até R$ 1.224 reais, valor que não atende a exigência de 40% de reajuste.

As ruas de várias regiões do Rio voltaram a amanhecer sujas nesta sexta-feira, ainda com o lixo acumulado ao longo do carnaval.

Alguns garis que foram trabalhar hoje voltaram a ser escoltados pela polícia, assim como ocorreu ontem, por causa de possíveis retaliações dos grevistas, informou a Comlurb.