Freixo acusa Paes de favorecer milicianos

Candidato do PSOL citou a forma escolhida pela atual gestão para realizar a licitação do transporte alternativo como principal indicador do apoio a miliciano

Rio – O deputado estadual e candidato do PSOL à prefeitura do Rio, Marcelo Freixo, acusou nesta quinta o prefeito Eduardo Paes (PMDB), candidato à reeleição, de favorecer milicianos em sua gestão. “Ele (Paes) não é dono de milícia, mas tem responsabilidade no crescimento das milícias, eu digo abertamente”, afirmou Freixo durante sabatina promovida pelo jornal Folha de S. Paulo.

A assessoria de Paes informou que ele não comentaria a declaração. Procurado após um evento de campanha, o prefeito disse apenas: “Deixa ele (Freixo) acusar do que quiser”. O deputado, que presidiu a CPI das Milícias da Assembleia Legislativa em 2008, citou a forma escolhida pela atual gestão para realizar a licitação do transporte alternativo como principal indicador do apoio a milicianos. Freixo lembrou que uma das 58 propostas da CPI foi a necessidade de se fazer essas licitações individualmente. Segundo ele, o braço econômico das milícias é o transporte alternativo, e o controle das vans por cooperativas facilita o domínio do crime organizado.

“Todas as licitações em 2009 foram feitas com cooperativas, e é pior, eu vou além. Tem fotos do atual prefeito com donos de cooperativas, entre eles vários indiciados por nós em 2008 que hoje estão presos ou mortos, reunidos na prefeitura discutindo e ganhando a licitação das vans”, afirmou. “Se não tirar deles o braço econômico e o territorial, não adianta as prisões. É uma ilusão achar que a segurança pública é um tema estadual.”

Freixo também acusou o poder público municipal de “alimentar” centros sociais que funcionariam como instrumento de domínio eleitoral para milicianos. Em entrevista depois da sabatina, declarou: “Não estou dizendo que ele (Paes) seja miliciano ou que ganha dinheiro da milícia, mas que seu projeto político de poder relacionado às lideranças locais alimentou a milícia, como na gestão anterior. Podia ter rompido com isso. Não rompeu.”