Fernando de Noronha declara guerra aos plásticos descartáveis

Arquipélago se torna a primeira região do Brasil a proibir o uso e comercialização de plásticos descartáveis, indo muito além dos canudinhos

São Paulo – Sinônimo mundial de turismo ecológico e preservação ambiental, a paradisíaca Fernando de Noronha declarou guerra aos plásticos descartáveis, em mais um passo para proteger a natureza.

A administração do arquipélago emitiu um decreto proibindo o uso e a comercialização de recipientes e embalagens descartáveis. Na prática, a medida afeta garrafas plásticas de bebidas (abaixo de 500ml), canudos, copos, talheres descartáveis, sacolas plásticas, recipientes de isopor e demais objetos compostos por polietilenos, polipropilenos ou similares. A decisão foi publicada no Diário Oficial na quinta-feira (13).

A norma, que começa a valer em 120 dias, alcança todos estabelecimentos e atividades comerciais da ilha (de ambulantes à restaurantes e pousadas), além de moradores e turistas, e também se aplica aos cerca de 3 mil moradores e os 100 mil visitantes que visitam o arquipélago a cada ano. 

Durante o prazo para adequação, a administração de  Noronha realizará trabalhos educacionais de conscientização junto a moradores, empresários e visitantes. Quando a norma entrar em vigor, quem descumpri-la poderá receber notificações, multas e até perder o alvará de funcionamento.

Muito além do canudinho

Com a investida, Fernando de Noronha se torna a primeira região do Brasil a restringir o uso de plásticos descartáveis. Iniciativas mais modestas são encontradas nas cidades do Rio de Janeiro e de Cotia (em SP), que proibiram o uso comercial de canudos plásticos.

Em maior ou menor intensidade, essas mudanças vão ao encontro de um crescente movimento global de combate ao lixo plástico, um dos principais vilões da poluição marinha. Segundo a ONU, ao menos 50 países têm propostas nessa seara.

A poluição dos oceanos por resíduos plásticos tem ganhado proporções inimagináveis, com consequências catastróficas para a vida nesse ecossistema.

Suas principais vítimas, os animais marinhos podem ficar presos em pedaços de plásticos e, o que é mais comum, podem ingerir esses detritos, que acabam perfurando a parede intestinal e liberando produtos químicos tóxicos nos tecidos das criaturas, que se acumulam ao longo da cadeia alimentar.

E mesmo que o plástico não cause feridas internas, o animal ainda corre risco de morrer de inanição já que muitos simplesmente param de se alimentar porque sentem um volume “indigesto” no estômago, problema que acomete principalmente tartarugas e aves marinhas.