Favelas pacificadas têm menos mortes do que outros bairros

As 196 favelas ocupadas pela polícia dentro do programa de pacificação tiveram no ano passado 40 assassinatos

Rio de Janeiro – As favelas pacificadas do Rio têm uma taxa menor de assassinatos do que o resto dos bairros da cidade, segundo um estudo divulgado nesta segunda-feira pelo governo regional, após um fim de semana violento com seis mortos em trocas de tiros.

As 196 favelas ocupadas pela polícia dentro do programa de “pacificação” tiveram no ano passado 40 assassinatos, com uma taxa de 7,4 mortes por 100 mil habitantes, segundo o estudo elaborado pelo Instituto de Segurança Pública (ISP) do governo do Rio de Janeiro.

Essa taxa diminuiu paulatinamente desde 2007, um ano antes do início do programa e quando houve 167 assassinatos (30,9 por 100 mil habitantes).

No conjunto do Rio, cidade com seis milhões de habitantes, também foi registrada uma melhoria dos índices de violência com relação aos anos anteriores até alcançar no ano passado uma taxa de 19,3 assassinatos por 100 mil pessoas.

A política de “pacificação” começou em 2008 e culminou na expulsão das grupos de narcotraficantes que nas últimas décadas impuseram sua própria lei nestas 196 favelas cariocas, onde vivem 600 mil pessoas.

Esses bairros pobres, que anteriormente estavam entre os lugares mais perigosos do Brasil, agora são patrulhados por nove mil agentes e contam com 38 delegacias permanentes, chamadas Unidades de Polícia Pacificadora (UPP), embora estas não evitaram totalmente os enfrentamentos entre os grupos de narcotraficantes.

A publicação do estudo ocorreu depois de um fim de semana violento nos morros da Coroa, Fallet e Fogueteiro, no centro de Rio, que fazem parte do programa de “pacificação”.

Os tiroteios deixaram seis mortos e cinco feridos entre a noite da sexta-feira e a manhã do domingo e, segundo a polícia, ocorreram enfrentamentos entre dois grupos de narcotraficantes rivais que disputam o controle dessas três bairros apesar de contarem com UPP.

No Rio de Janeiro ainda existem dezenas de favelas controladas por grupos de narcotraficantes ou por violentas máfias conhecidas como “milícias”, que são integradas normalmente por policiais em atividade ou aposentados.

Nas favelas que dominam, estes grupos armados costumam extorquir os habitantes e comerciantes em troca de segurança e monopolizam a provisão do gás, de televisão a cabo e de outros serviços.