Exército responde com lei do silêncio a pedidos do MP

Quando o assunto é investigações sobre Ditadura Militar, general do Exército impôs lei do silêncio aos seus quarteis. Entenda

São Paulo – Enquanto o Ministério Público trabalha para esclarecer os crimes cometidos durante o regime militar (1964-1988), no Exército reina a lei do silêncio. Ou pelo menos é isso que um general impôs a seus quartéis. 

Segundo o Procurador da República Sérgio Suiama, do Ministério Público Federal do Rio de Janeiro (MPF-RJ), o silêncio tem sido resposta constante aos seus pedidos ao Exército.

O motivo seria uma determinação do comandante do Exército, general Enzo Peri, para que todos os posicionamentos sobre a Ditadura Militar fossem concentrados em seu gabinete. 

“Quando você pede qualquer documento para o Exército, ele apresenta uma resposta padrão de que a solicitação deve ser feita ao comando geral do Exército pelo Procurador Geral da República”, diz Suiama.

Ele conta que, durante uma das investigações sobre crimes cometidos na ditadura, pediu ao Hospital Central do Exército o prontuário de Raul Amarao, que morreu nas dependências do hospital, após ser preso, em 1971. Recebeu a mesma resposta, de que o pedido deveria ser feito ao comando geral. 

“Quando insisti dizendo que o diretor do hospital poderia responder por desobediência ao se negar a fornecer informações para uma investigação, recebi um ofício datado em que o general Enzo Peri determinava que qualquer solicitação sobre o assunto fosse respondida exclusivamente por seu gabinete”, conta. 

A decisão se refere a todos os pedidos feitos por todas as esferas do poder executivo, pelo Ministério Público, pela Defensoria Pública e missivistas que tenham relação ao período entre 1964 e 1985. Veja o documento ao final. 

O procurador afirmou que está pedindo à Procuradoria Geral da República para que entre com uma representação contra o comandante Enzo Peri. 

“Por que o comando geral do Exército, em pleno período democrático, revoga o direito à informação? É lamentável que um orgão que deveria estar comprometido em esclarecer estes casos o mais rápido possível fique impondo obstáculos à Justiça”, diz Suiama. 

Ofício Exército by EXAME.com

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