“Excesso de ficção”, diz Moro sobre crítica de Padilha ao pacote anticrime

Diretor de Tropa de Elite afirmou que projeto "fortalecerá milícias" e que juiz "perdeu a independência e hoje trabalha para a família Bolsonaro"

São Paulo — O ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sérgio Moro, reagiu nesta terça-feira (16) a uma crítica do diretor de cinema, José Padilha, sobre seu pacote anticrime.

Em coluna no jornal Folha de S.Paulo, o diretor de Tropa de Elite afirmou que as medidas propostas pelo ex-juiz vão “fortalecer milícias”.

Segundo ele, Moro “finge não saber o que é milícia porque perdeu sua independência e hoje trabalha para a família Bolsonaro”.

Logo depois que o artigo foi publicado, o ministro aproveitou sua recém inaugurada conta no Twitter para se pronunciar sobre a fala do diretor e defender seus projetos. Moro disse que as opiniões do cineasta são “excesso de ficção”.

Em seu texto, Padilha elogia as propostas do pacote de Moro para a corrupção, mas questiona as de combate ao crime.

Ele também diz que cometeu um erro ao apoiar a atuação de Moro na Lava Jato ao chamá-lo, à época, de “samurai ronin” (um samurai que não possuía líderes no Japão feudal).

Para o diretor, o projeto anticorrupção de Moro é “um pacote pró-máfia” e o juiz se tornou o “antiFalcone”.

A referência é ao juiz italiano Giovanni Falcone que trabalhou contra a máfia Cosa Nostra siciliana e foi inspiração declarada de Moro para seu trabalho na Lava Jato.

O texto do Projeto de Lei Anticrime traz alterações em 14 leis brasileiras. As mudanças afetariam o Código Penal, Código de Processo Penal, Lei de Execução Penal, Lei de Crimes Hediondos e o Código Eleitoral, entre outros.