Eunício afirma que projeto sobre distrato pode ser alterado no Senado

Pelo texto aprovado na Câmara, cliente que desistir da compra de imóvel negociado na planta terá de pagar multa de até 50% do valor já dado à construtora

Brasília – O presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), sinalizou nesta terça-feira, 12, que poderá haver alterações no projeto que cria novas regras para a devolução de imóveis comprados na planta, o chamado “distrato”. O texto foi aprovado semana passada na Câmara, mas tem recebido críticas por beneficiar as construtoras.

“É possível (que o texto mude no Senado), o sistema é bicameral. Se o Senado entender que há necessidade de adequação do texto, nós vamos adequar e vamos agilizar para que esse assunto tenha um final feliz para todos, não apenas para alguns”, disse Eunício.

Ele afirmou que pediu um estudo sobre a proposta. “Acho que o projeto é importante do ponto de vista da estabilidade dos negócios, da segurança jurídica, mas por outro lado não podemos penalizar o consumidor, já tão penalizado no Brasil.

Mais cedo, o presidente do Senado teve um encontro com o ministro das Cidades, Alexandre Baldy, o presidente da Caixa Econômica Federal, e de entidades ligadas à área da construção civil para discutir o projeto. Eles pediram “celeridade” na tramitação da proposta.

Eunício afirmou que, apesar do início da Copa do Mundo e da proximidade das eleições, o Senado vai tentar manter um “calendário especial” para que os projetos não fiquem parados. “Acho que o Congresso tem que ajudar a destravar a economia, estamos discutindo isso desde o ano passado. Mas o Congresso Nacional também tem a responsabilidade fundamental com o consumidor”, disse.

Pelo texto aprovado na Câmara, clientes que desistirem da compra de um imóvel negociado na planta terão de pagar até 50% do valor já dado à construtora como multa para se desfazer do negócio.

O valor só não será pago se o consumidor encontrar interessado que aceite a transferência de toda a dívida do imóvel. Casos julgados na Justiça nos últimos anos previam retenção bem menor nesses casos: de 10% a 25% como multa.