Onde serão os protestos do #30M nesta quinta contra cortes na Educação

Estudantes e movimentos sociais voltam às ruas quinze dias depois dos primeiros atos, mas perspectiva é de que mobilização seja menor

São Paulo — Quinze dias após o primeiro ato contra cortes na Educação realizados pelo governo de Jair Bolsonaro, uma nova onda de protestos de estudantes e movimentos sociais deve tomar as ruas nesta quinta-feira (30).

As manifestações estão marcadas para acontecer em todas as capitais brasileiras, mas o número total de cidades deve ser menor do que no ato anterior.

Reunidos nesta quarta-feira (29) em Brasília, os presidentes do PT, PSB, PDT, PSOL e PCdoB, além de representantes da Rede e do PCB, avaliaram que a escala dos protestos será de fato menor.

No último dia 15, cerca de 220 municípios registraram protestos, contra os 150 que estão marcados para hoje, segundo divulgação da União Nacional dos Estudantes (UNE).

A União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) e a Associação Nacional dos Pós-Graduandos (APNG) também estão na organização.

Será inevitável também a comparação com os atos do último domingo (26) realizados em 156 cidades e que tiveram como mote ataques ao chamado Centrão e a defesa de reformas e do governo Jair Bolsonaro.

Clique em seu estado para saber onde será a manifestação:

Mobilização

Sergio Denicoli, diretor de Big Data da AP/Exata, empresa de análise de mídias digitais, avalia que a manifestação deve manter a capilaridade no território nacional, mas será menor do que no dia 15.

A movimentação nas redes sociais também está menos intensa e mais voltada aos movimentos sindicais do que ao estudantil.

A mudança de foco está relacionada com a mobilização dos trabalhadores sindicais para a greve geral contra a reforma da Previdência, marcada para o próximo 14 de junho.

“Um ato convocado pela UNE, também contra os cortes na educação e em defesa da aposentadoria, está sendo organizado e mobilizado por estudantes, professores, CUT e demais centrais e será mais uma mobilização rumo à greve geral do dia 14”, diz comunicado da Central Única dos Trabalhadores.

De acordo com levantamento da AP/Exata, que analisou quase 80 mil tuítes sobre os protestos, a mobilização está marcada mais por um viés político-partidário, com um grande envolvimento das centrais sindicais.

Bloqueio no orçamento

Desde que assumiu o posto no começo de abril, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, congelou recursos tanto da educação básica quanto das universidades federais.

Ao menos 2,4 bilhões de reais que estavam previstos para investimentos em programas da educação infantil ao ensino médio foram bloqueados.

O ministro também declarou que haveria um corte de 30% no orçamento de universidades federais que promovessem “balbúrdia” e tivessem desempenho acadêmico abaixo do esperado.

Ele citou a Universidade Federal da Bahia, a Universidade Federal Fluminense e Universidade de Brasília como alvos, apesar de todas estarem entre as 50 melhores da América Latina segundo o ranking Times Higher Education.

Sua declaração gerou uma onda de protestos, que deu início às mobilizações para o primeiro protestos.

Logo depois, Weintraub recuou e afirmou que o corte seria linear para todas as universidades federais, o que segundo reitores inviabiliza a continuidade das atividades; os repasses já passaram por cortes sucessivos nos anos anteriores.

O ministro passou então a destacar que o corte é sobre a verba de custeio e portanto mais próximo de 3%, pois grande parte das despesas universitárias são obrigatórias por lei, como os salários.

Além do corte no repasse para as federais, 3.474 bolsas para estudantes de mestrado, doutorado e pós-doutorado oferecidas pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) também foram suspensas. 

Há cerca de uma semana, o secretário especial de Fazenda, Waldery Rodrigues, anunciou a liberação de R$ 1,588 bilhão do valor inicial contingenciado do MEC, levando o bloqueio de R$ 7,43 bilhões para R$ 5,84 bilhões.

Isso não significa que a verba será destinada às universidades federais, já que a decisão de como empenhar o gasto fica com o próprio ministério.

Veja fotos do primeiro protesto em 15 de maio