Estrutura de prédio que desabou preocupava mestre de obras

Os bombeiros ainda trabalham no local na busca de dois operários; até o momento, oito corpos foram retirados dos escombros

São Paulo – Três dos 25 sobreviventes no desabamento de um prédio em construção ocorrido na manhã de ontem (27) no bairro São Mateus, zona leste da capital, já foram ouvidos pelo delegado Luiz Carlos Uzelin, responsável pelo inquérito policial do caso. Os bombeiros ainda trabalham no local na busca de dois operários. Até o momento, oito corpos foram retirados dos escombros.

No depoimento, eles informaram que, no momento do acidente, todos estavam no térreo do edifício e iam trabalhar no reforço da estrutura inferior do prédio. “Eles apontaram que a obra não tinha sustentação para suportar o peso. Foi feito um estudo para reestruturar a obra”, disse o delegado. Outras intimações devem ser feitas hoje, mas ainda não há previsão de novas oitivas. Também foi ouvido um eletricista que não estava no momento do acidente.

O funcionário Bento Lopes Teixeira trabalhava na obra há dois meses como ajudante de eletricista para a construtora Salvatta Engenharia, que foi contratada para o acabamento do prédio. Ele disse conseguiu sair porque viu o momento em que a laje começou a ruir, gritou para os colegas e correu.

“Fui atingido por uma laje, que arrancou o meu capacete. Não fiquei ferido, porque ela ficou apoiada em um monte de piso que estava ali”, relatou no 49° Distrito Policial. Segundo o delegado, essas pessoas já foram ouvidas porque sofreram ferimentos leves.

Uma reunião no último sábado entre os engenheiros da Salvatta, que faria o acabamento do prédio que abrigaria uma loja do Magazine Torra Torra, uma arquiteta da loja e o engenheiro contratado pelo dono da obra foi narrada pelo eletricista Reginaldo Caetano dos Santos.

“Até onde sei, chegou-se à conclusão de que tudo deveria ser parado, porque a estrutura não suportava o peso e teria que ser feito o reforço”, contou o eletricista. Ele disse que o mestre de obras demonstrava preocupação com a estrutura, porque havia sido usada uma ferragem muito fina que não era suficiente para as intervenções que seriam feitas. “Comentei que a gente ia rezar para que nada de mal ocorresse”, disse.

O servente de pedreiro Manoel Lopes da Silva informou que começou a trabalhar na obra há cerca de um mês. No momento do acidente, ele trabalhava em uma casa ao lado da obra, limpando o telhado do imóvel vizinho, por isso conseguiu se salvar. “A gente não tinha começado a trabalhar ainda. A gente aguardava o material para o escoramento da laje.

O engenheiro informou que seria colocada mais uma viga”, relatou. O servente disse que não notou nada de anormal na estrutura do prédio nos dias em que trabalhou lá.

O também servente de pedreiro Antonio Wallison Teixeira Silva disse que conseguiu sobreviver porque entrou por uma tubulação de ar que o levou à rua. “Só não fui esmagado porque estava encostado na casa de máquinas que é constituída de três paredes que suportaram parte da estrutura”, declarou.

Ele informou que ontem os funcionários trabalhavam na limpeza e que foram orientados a não mexer em nada até que houvesse o escoramento. “O encarregado mandou que o material que estava naquele pavimento [segundo] fosse retirado, pois a laje não ia suportar”, declarou. Eram cerca de 500 blocos de barro.

O delegado informou que não há previsão para finalização do inquérito, mas que o caso é prioridade. “Tão logo o Corpo de Bombeiros libere o local, a perícia vai ser feita. É ela que vai determinar o que aconteceu, porque a obra ruiu. Vou aguardar o laudo”, explicou. Ele disse ainda que engenheiros responsáveis pela obra devem ser ouvidos o quanto antes.