Esse pessoal será punido na forma da lei, diz Bolsonaro sobre hackers

A primeira vítima é o promotor de Araraquara Marcel Zanin Bombardi; a partir dos contatos dele, os hackers acessam números de autoridades

O presidente Jair Bolsonaro afirmou, nesta quinta-feira (25), que os integrantes do grupo de hackers que acessaram os seus aparelhos celulares serão “com certeza” punidos na forma da lei.

Em entrevista após participar de reunião na Superintendência da Zona Franca de Manaus, o presidente voltou a dizer que não tem nada a esconder e que trata de informações estratégicas diretamente com os seus ministros e até mesmo com chefes de Estado.

Ele citou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. “É um ato que fere a lei. Esse pessoal com toda a certeza será punido na forma da lei”, afirmou Bolsonaro.

Primeira vítima dos hackers

Nesta quarta, Walter Delgatti Neto, conhecido como “Vermelho”, confessou ter invadido os celulares de autoridades. Sua primeira vítima é apontada como um promotor de Araraquara Marcel Zanin Bombardi. Segundo pessoas que tiveram acesso ao depoimento, Delgatti disse que, a partir dos contatos do aparelho do promotor, teve acesso a outros números de autoridades.

A invasão ao celular do promotor de Araraquara teria como motivação o fato de “Vermelho” ter sido denunciado por ele, em 2015, em um caso envolvendo tráfico de drogas.

Enquanto isso, o ministro da Justiça, Sergio Moro, que também teve o celular invadido, afirmou pelo Twitter que as “centenas de vítimas” dos ataques serão comunicadas pela Polícia Federal ou pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.

“A vulnerabilidade foi explorada por hackers criminosos e pessoas inescrupulosas. As centenas de vítimas, autoridades ou não, que tiveram a sua privacidade violada por meio de crime, serão identificadas e comunicadas pela Polícia Federal ou pelo MJSP”, afirmou.

 

Segundo Moro, “ninguém foi hackeado por falta de cautela”. “Não se exigia nenhuma ação da vítima. Não havia sistema de proteção hábil. Há uma vulnerabilidade detectada e que será corrigida graças à investigação da Polícia Federal”.

Surpresa na família

Dona Otília Gomes Delgatti, de 82 anos, ainda não se recuperou do susto quando, na terça (23), quatro viaturas da Polícia Federal cercaram sua casa, numa esquina da Avenida Santa Inês, em Araraquara. Os agentes procuravam seu neto, Delgatti. “Acho que ele fez uma coisa muito grave, se for verdade”, afirmou. 

O aparato policial na casa de Dona Otília chamou a atenção dos vizinhos, pouco acostumados ao movimento no pacato bairro residencial, embora próximo do centro. A senhora descansava quando os agentes chegaram. “Reviraram a casa inteira, procuraram até no quintal e na casa do cachorro”, disse.

“Eles foram educados, até gentis comigo. Foram ao quarto, ao banheiro, procuraram em tudo, mas meu neto, que eles procuravam, não estava. Ele saiu daqui em abril, e eu esperava que ele voltasse. Ele dava notícias, dizia que estava em São Paulo. Só soube da prisão depois que a polícia foi embora. Ele estava em Ribeirão Preto, em um hotel. Eu não sabia”, afirmou.

Dona Otília, que mora com outro neto, Wisley, irmão de Walter, disse que os dois ficaram abalados após a morte do pai, Walter Filho, no dia 20 de novembro de 2018. “O Waltinho morreu engasgado com comida. Teve um enfarte enquanto comia. Eles ficaram arrasados.” Ela tem outro filho, tio de Walter, que trabalha na prefeitura.

A avó contou que Walter sempre foi um rapaz curioso e inteligente. “Ele tinha 12 anos quando veio morar comigo. Eu e meu marido cuidávamos dele. Ele sabia conversar e, que eu saiba, não fazia nada errado. Estão falando muitas coisas. O celular do Moro e também do Bolsonaro… quanta elegância!”, disse.

A idosa acompanha o noticiário por uma televisão antiga, de tubo. “Já saí na televisão, vieram aqui, me entrevistaram, mas eu não sabia de nada. Eu não esperava nada disso. Não conheço os outros meninos, o tal de Guto (o DJ Gustavo Santos, também preso) nunca veio aqui.”

“Ele é muito bom, tinha muitos amigos. Não era casado, então tinha as namoradas por aí, corria o trecho passeando.” Ela disse que o outro neto, Wisley, chegou a falar com um advogado. “Ele disse que em cinco dias ele vai estar aqui. Acho que ele volta logo. Vou ficar esperando.”