Espírito Santo: o exército no comando

O que estava fora de controle acabou de piorar. O ministro da Defesa, Raul Jungmann, autorizou o envio de mais 550 homens das Forças Armadas e de 100 homens da Força Nacional para o Espírito Santo, atendendo a um pedido do governador em exercício, César Colnago (PSDB). No total, serão 1.850 militares federais fazendo a segurança no estado. Até 16 de fevereiro, o controle da segurança estadual está sob o comando do general de Brigada Adilson Carlos Katibe.

Nesta quarta-feira, a Polícia Civil do Espírito Santo decidiu paralisar suas atividades até a meia-noite. A partir de amanhã, os policiais atenderão apenas nas 18 delegacias regionais do estado, por tempo indeterminado — apenas os flagrantes serão atendidos. O protesto foi motivado pela morte do policial civil Mário Marcelo de Albuquerque, baleado quando tentava intervir em um assalto.

“A população vai precisar ter um pouco de paciência. É preciso entender. Estamos entre os piores salários do país. Não temos segurança para trabalhar”, afirmou o delegado Rodolfo Laterza, que preside a associação de delegados.

Desde que a Polícia Militar parou de fazer o patrulhamento nas ruas, há cinco dias, em protesto contra a falta de reajuste salarial, 85 pessoas foram assassinadas e centenas de estabelecimentos comerciais foram saqueados. A população faz fila nos supermercados para comprar mantimentos e estocar em casa, com medo de sair às ruas. Não há transporte público e as escolas estão fechadas.

Em entrevista coletiva, o governador licenciado do Espírito Santo, Paulo Hartung (PMDB), afirmou nesta quarta-feira que o movimento é uma “atitude grotesca”. “Sequestraram o direito do povo e estão cobrando resgate”, afirmou. Hartung estava internado até ontem para a retirada de um tumor na bexiga.

Ainda nesta quarta-feira o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, comprometeu-se a pagar até o dia 14 os salários dos policiais com um reajuste de até 10,22%, negociado em 2014. A declaração ocorreu um dia após boatos de uma paralisação das forças policiais no estado. Pezão havia tentado suspender o reajuste no fim de 2016, como parte do pacote de arroxo do estado.

O governo do Espírito Santo mantém a posição de negociar com os policiais apenas se o policiamento for retomado.