Espanha pode retirar imunidade de policial detido no Brasil

"Em nenhum caso a imunidade diplomática pode servir como álibi em incidentes tão graves quanto a violência machista", diz chefe da diplomacia espanhola

O ministro das Relações Exteriores espanhol, José Manuel García Margallo, anunciou nesta quarta-feira que o espanhol detido no Brasil ontem não gozará de imunidade diplomática se ficar provado que assassinou a mulher.

“Se esta investigação avançar e ficar provado que foi um caso de violência machista, a Espanha a partir deste momento anuncia que renunciará à imunidade diplomática”, disse García Margallo à imprensa em referência à detenção na terça-feira do conselheiro do interior da embaixada espanhola no Brasil, o delegado Jesús Figón.

A polícia de Vitória informou na terça-feira sobre o assassinato de uma mulher e a prisão de um cidadão espanhol, sem revelar mais detalhes.

Segundo a imprensa espanhola, o crime teria ocorrido em um apartamento que o delegado tinha nesta cidade. Ele foi libertado depois de depor à polícia.

“Em nenhum caso a imunidade diplomática pode servir como álibi em incidentes tão graves quanto a violência machista”, acrescentou nesta quarta-feira o chefe da diplomacia espanhola.

Segundo a imprensa espanhola, o delegado de polícia espanhol, que estava há cerca de três anos na embaixada em Brasília, se entregou à polícia brasileira depois de matar sua esposa brasileira, com quem estava casado há 30 anos.

O policial relatou que sua mulher, que sofria de depressão após a perda de um filho, o atacou com uma faca após uma discussão e que, embora só tivesse a intenção de se defender, acabou ferindo a esposa com a mesma arma, de acordo com a imprensa espanhola.

Margallo insistiu que “a Espanha não apenas não coloca qualquer obstáculo na investigação em andamento que cabe às autoridades brasileiras, mas que estamos a sua disposição para colaborar na investigação de um incidente de gravidade que está sendo discutido”.