Escolha de Dunga pela CBF repercute mal – veja opiniões

Apesar de ter tido 76% de aproveitamento em sua última passagem pela seleção, Dunga não é considerado a melhor opção para um time que tenta se reerguer

São Paulo – O anúncio de que Dunga será novamente o técnico da seleção brasileira, feito oficialmente nesta terça-feira, repercutiu negativamente na imprensa. Entre comentaristas e jornalistas esportivos, a opininão é quase unânime: o ex-jogador não era a melhor opção para um time que acaba de sofrer a pior derrota de sua história. 

As críticas são mais à CBF do que ao novo treinador: sua capacidade como técnico é menos questionada do que as intenções da entidade ao escolhê-lo.

Dunga treinou o Brasil entre 2006 e 2010. Nestes 4 anos, foram 42 vitórias, 12 empates e 6 derrotas em 60 jogos – aproveitamento de 76%.

Sob comando do ex-jogador, a seleção ganhou a Copa América de 2007, a Copa das Confederações de 2009 e a medalha de bronze nas Olimpíadas de Pequim, em 2008. 

Na Copa do Mundo de 2010, no entanto, a seleção caiu nas quartas de final contra a Holanda. 

A opção de trazer de volta um técnico que apenas quatro anos atrás deixou a seleção com um 6º lugar no mundial, na opinião da maioria dos analistas, não aponta para a renovação tão necessária ao time e ao futebol brasileiro como um todo. 

Entre o público, a rejeição também é alta. Em votação feita no programa “Arena SporTV”, do canal da TV paga SporTV, a escolha do novo técnico foi rejeitada por 71,19% dos 10.820 internautas.

Veja a seguir como repercutiu a escolha de Dunga em análises mostradas em vários veículos:

Humberto Miranda, no blog de Juca Kfouri

“Ao descartar a contratação de um técnico estrangeiro, a dupla [Marin e Del Nero] enterrou qualquer possibilidade de renovação no nosso futebol. Restava esperar que alguma opção interna revelasse um quê de sabedoria anciã dos dirigentes na escolha do técnico. Ledo engano. […] São passadistas. E, como tal, jamais darão um passo à frente que signifique abrir mão do mando absoluto que detêm. Nada mais coerente com o hábito passadista de trazer Dunga de volta.”

Sérgio Xavier Filho, para a Folha de S.Paulo

“O capitão do tetra, que nunca foi uma simpatia, se tornou ainda mais antipático por ter chegado como uma escolha “de afronta”. A CBF olhou para trás quando todo mundo pedia uma mirada para frente. Tomem: Dunga.”

Cléber Machado, da TV Globo

“Quem era o técnico da Seleção em 2006? Parreira. Ele saiu por quê? Perdeu e foi bagunçado. Aí em 2010 foi o Dunga, que era para ser rígido, e aí perdeu e saiu. Em 2013, quem voltou para a Seleção? Felipão e Parreira. E agora? Dunga. Parece um carrossel. Não sei o que a gente está pensando, nós não estamos planejando nada, estamos fazendo o que se fez com o Luiz Felipe e o Parreira, você coloca dois campeões do mundo e ele serve de anteparo para tudo. Se eles ganhassem seriam heróis em dobro, como perderam ficaram com fama de vilão. E vai ser assim com o Dunga.”

Mauro Beting, do Lance!

“Ele não foi tão mal na Seleção como amam detestá-lo os muitos críticos. Também não foi tão bem como adoram defendê-lo seus poucos defensores tão empedernidos quanto ele em campo e no banco. Ele é mais do mesmo. Como é o vice que será presidente Marco Polo. Como é o presidente que será vice Marin. Dois que apreciam o estilo conservador de Dunga.”

Carlos Eduardo Lino, do SporTV

“Não podemos deixar de refletir sobre o passo atrás que está sendo dado. Sobre o fato de a CBF tentar recuperar um trabalho encerrado, com contabilidade feita, com erros e acertos respeitados, mas principalmente uma página que parecia superada no futebol brasileiro.
eu confesso que fiquei surpreso e perplexo, nao esperava por isso.” 

Paulo Vinícius Coelho, da ESPN

“De 2006 a 2010, o trabalho de Dunga foi bom. Não foi excelente, porque o time terminou a Copa em sexto lugar — nem Dunga ficou feliz com a classificação. Mas é claro também que houve méritos, ou ele não seria lembrado quatro anos depois. Só um técnico na história da seleção teve uma segunda Copa do Mundo depois de perder a primeira. Só Telê Santana.”

Robson Morell, do Estadão

“A nova era Dunga trará tempos ainda mais escuros e sombrios para o Brasil, formando equipes distantes do povo brasileiro, arredias com a imprensa, que informa o povo brasileiro, e de trato grosseiro com a bola, o pior de tudo. É impossível que todas as enquetes que condenam Dunga estejam equivocadas. Impossível. A escolha da CBF, de dirigentes experientes e raposas velhas da política, parece mais um passo de juvenis. Um passo,digo, para mais perto do abismo.”