Entre os filhos e o general: a campanha de Bolsonaro na encruzilhada

Para driblar a falta do corpo-a-corpo com os eleitores (e não ficar na mão de Hamilton Mourão), a campanha segue apostando nas redes sociais

Com Jair Bolsonaro (PSL) ainda hospitalizado, familiares e aliados começam a assumir a agenda de campanha. Nesta sexta-feira (14), o filho de Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro, irá a Assis, cidade no interior de São Paulo para fazer campanha. Ele estará acompanhado por Major Olímpio, presidente do PSL no estado, além do astronauta Marcos Pontes, um dos cotados por Jair Bolsonaro para assumir o Ministério de Ciência e Tecnologia.

A comitiva deve passar ainda por Marília, Ourinhos, Santa Cruz do Rio Pardo e Bauru, todas no interior de São Paulo.

Na noite de quarta-feira, Bolsonaro teve que passar por nova cirurgia, para desobstrução intestinal, e, nesta quinta (13) teve de voltar à Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital Albert Einstein, onde está internado. A previsão é de que ele permaneça ausente de atos de campanha nas ruas até o primeiro turno das eleições, marcado para o dia 7 de outubro.

Apesar do esforço da campanha de Bolsonaro de manter as agendas de rua, é evidente que não será a mesma coisa sem o candidato. “Não temos essa capacidade de levar milhares de pessoas às ruas, como é uma característica e uma força do Jair Bolsonaro”, afirmou Olímpio a jornalistas no hospital, nesta quinta-feira (13).

Uma opção em estudo, a de aumentar a participação do vice, general Hamilton Mourão, pode dificultar a ampliação da base de eleitores. A família e o PSL são contra sua participação em debates, acreditando que a cadeira vazia é mais simbólica que a presença do general. Mourão, por sua vez, tem comemorado a maior oportunidade para “expor nossas ideias”. Entre elas, ontem o general sugeriu um atropelo na democracia para mudar a Constituição. “Fazemos um conselho de notáveis e, depois, submetemos a plebiscito. Uma Constituição não precisa ser feita por eleitos pelo povo”, afirmou, indicando que a Constituição de 1988 nos trouxe à crise atual.

Para driblar a falta do corpo-a-corpo com os eleitores (e não ficar na mão do general), a campanha segue apostando nas redes sociais, principal bastião de Bolsonaro também contra seu curtíssimo tempo de televisão. Entre os candidatos à Presidência, Bolsonaro é, de longe, o com maior presença nas redes sociais, com mais de 8 milhões de seguidores.

Nesta semana, no entanto, a rejeição ao candidato também chegou às redes. Um grupo fechado no Facebook atingiu, no início da semana, mais de 1 milhão de mulheres que são contra a candidatura de Bolsonaro.

Entre os que declaram voto para Bolsonaro, 35% são homens e 18% mulheres, de acordo com o instituto de pesquisa. No entanto, ele é o candidato mais rejeitado pelo eleitorado, segundo o último Datafolha, 43% afirmam que não votam nele “de jeito nenhum”. Entre as mulheres, este percentual sobe para 49%.

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