Ministro do turismo depõe no Senado enquanto PSL continua em conflito

Marcelo Álvaro já recusou 3 convites para falar sobre candidaturas-laranja no Congresso, mas na condição de convocado, não poderá faltar ao encontro

O depoimento de Marcelo Álvaro Antônio no Senado deve incrementar ainda mais a imensa crise que se apossou de seu partido. No início do mês, o ministro do Turismo foi indiciado pela Polícia Federal (PF) e denunciado pelo Ministério Público (MP) de Minas gerais por um esquema de candidaturas laranjas realizado pelo PSL. No passado, Álvaro já recusou três convites para falar sobre o tema, mas, desta vez, na condição convocado, não poderá faltar ao encontro desta terça-feira 22.

O depoimento deve dividir as atenções nesta terça-feira com o segundo turno da reforma da Previdência no Senado. O pedido de convocação do ministro foi feito pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e aceito pela Comissão de Fiscalização e Controle do Senado no mesmo dia em que a PF indiciou Álvaro no inquérito da Operação Sufrágio Ostentação, que imputou ao ministro os crimes de falsidade ideológica, associação criminosa e apropriação indébita.

Marcelo Álvaro também foi denunciado pelo Ministério Público de Minas Gerais, que apresentou denúncia contra o ministro por supostamente utilizar candidaturas de fachada para acessar recursos do fundo eleitoral nas eleições do ano passado. Na época, Álvaro era presidente do PSL mineiro. 

Agora, o ministro é denunciado por articular um esquema de candidaturas femininas laranjas. Por lei, cada partido deve garantir o mínimo de 30% de candidatas do sexo feminino. O esquema do PSL, segundo a PF, se baseava em apresentar candidatas sem ter a intenção delas serem eleitas, mas com o intuito de acessar recursos exclusivos do fundo eleitoral. 

Mesmo com as denúncias, o presidente Jair Bolsonaro descartou exonerar o ministro até os resultados finais das investigações. “O presidente da República aguardará o desenrolar do processo. O ministro permanece no cargo”, disse o porta-voz da Presidência, Otávio Rêgo Barros. Desde o início das investigações sobre a atuação de Marcelo Álvaro e de seus assessores, Bolsonaro indicou que aguardaria a apuração da PF para definir o futuro do ministro. 

Nas últimas semanas, o presidente tomou posição semelhante para justificar a permanência do líder do governo no Senado, Fernando Bezerra (MDB-PE), que foi alvo de mandados de busca e apreensão da PF em setembro. Enquanto isso, Álvaro segue negando as acusações. “Por que me afastaria se tenho a consciência tranquila? Não vejo problema nenhum”, declarou. 

Tudo acontece em meio a uma imensa crise iniciada pela queda de braço entre Bolsonaro e o ex-líder do PSL na Câmara, Delegado Waldir. Enquanto o presidente está do outro lado do mundo ㄧ viajou à Ásia para buscar investimentos estrangeiros ㄧ, seu filho conseguiu ontem assumir a liderança da banca na Câmara. Para Bolsonaro, seu filho deve abrir mão da embaixada nos Estados Unidos para “pacificar o partido”. Seja lá o que isso quer dizer.