Em dois anos, Cerrado perde mais de 1 milhão de campos de futebol

Nos últimos anos, à medida que a fiscalização sobre o desmatamento se intensificou na Amazônia, a motosserra se deslocou para o Cerrado

São Paulo –  Em 2016, o desmatamento no Cerrado avançou por 6.777 quilômetros quadrados (km²), e foi além em 2017, ceifando mais 7.408 km². Somadas, as perdas de vegetação no bioma correspondem a 1,4 milhão de campos de futebol.

Os dados foram divulgados na manhã desta quinta-feira (21) pelo Ministério do Meio Ambiente com base no programa de monitoramento por satélite feito pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), nos mesmos moldes do controle de desmatamento na Amazônia Legal.

São números preocupantes, mas que representam, respectivamente, uma queda de 43% e 38%, no comparativo com os dados do levantamento  relativo à 2015, quando o desmatamento no bioma atingiu 11.881 km².

“Estamos intensificando os diálogos com o setor produtivo, que é importante para o combate do desmatamento ilegal na região, em especial  com os setores da cadeia da carne e da soja”, disse o ministro do Meio Ambiente, Edson Duarte, durante coletiva de imprensa.

Nos últimos anos, à medida que a fiscalização sobre o desmatamento se intensificou na Amazônia, a motosserra se deslocou para o Cerrado — entre 2010 e 2017,  o bioma perdeu 80.114 km², mais do que os 50 mil km² desmatados na floresta amazônica no mesmo período.

Cobrindo cerca de um quarto do território do Brasil e se estendendo por 12 estados, o Cerrado é um dos biomas mais ricos do mundo e o segundo do Brasil, com mais de 13 mil espécies de plantas.

Além dessa riqueza natural, o bioma é considerado a caixa d’água brasileira por possuir grandes reservas subterrâneas de água doce que abastecem as principais bacias hidrográficas do país. 

O monitoramento do Cerrado se insere no Programa de Monitoramento Ambiental dos Biomas Brasileiros, e apresenta dados consolidados bienais  no período de 2000 a 2012. A partir daí o levantamento passou a ser anual. O sistema, que utiliza a mesma tecnologia de monitoramento da Amazônia Legal, agora também permite monitoramento diário de 73% do território brasileiro, ou 6 milhões de km².

Segundo o ministro do Meio Ambiente, esse monitoramento diário é “um grande salto na politica de controle de desmatamento ao permitir uma ação mais cirúrgica e em tempo real dos nossos órgãos de monitoramento e controle em relação ao bioma”.

De agosto de 2017 a julho de 2018, o sistema de monitoramento identificou 7211 polígonos de desmatamento ilegais no Cerrado, que somam 3 mil km² de área desmatada. Tocantins, Mato Grosso e Maranhão lideram a lista de estados com maiores perdas do bioma.