Em convenção, PSDB anuncia troca de comando sem presença de Aécio e FHC

Convenção vai confirmar Bruno Araújo como presidente nacional do PSDB, ampliando o controle de João Doria sobre sigla

Brasília — O PSDB realizou nesta sexta-feira, 31, a convenção nacional da legenda sem a presença de alguns caciques do partido, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o deputado federal Aécio Neves (MG). A convenção confirmou o ex-deputado Bruno Araújo (PE) como presidente nacional do PSDB, ampliando o controle do governador de São Paulo, João Doria, sobre sigla.

Presidente de honra do partido, FHC gravou um vídeo que será exibido no evento no qual defende o compromisso do PSDB com a democracia no País. “Ele tem 88 anos, não precisa justificar a presença”, comentou o senador Tasso Jereissati (CE).

Ao chegar à convenção, o atual presidente da sigla, Geraldo Alckmin, disse estar com sentimento de “dever cumprindo”. Segundo o ex-governador de São Paulo, o código de ética e as novas regras de compliance elaborados pela direção darão “total transparência na gestão partidária”.

O código de ética prevê a expulsão de políticos condenados criminalmente ou que tiverem cometido infidelidade partidária. O texto não atinge diretamente Aécio Neves, réu no Supremo Tribunal Federal, pois define que filiados que já respondem a investigações só serão punidos caso haja condenação.

Veja também

O PSDB ensaia uma reaproximação com o MDB e o DEM para tentar recuperar espaço no centro da política brasileira. O presidente nacional do MDB, Romero Jucá, e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), confirmaram presença na convenção nacional tucana que ocorre nesta sexta-feira, 31, em Brasília, para eleger o ex-deputado Bruno Araújo como presidente nacional da sigla.

Ex-presidente do PSDB, Tasso Jereissati (PSDB) afirmou que a presença do MDB e do DEM na convenção representa a necessidade de um grupo político que representa “a grande maioria silenciosa” da população.

“Estamos vivendo em um momento de extremos, a extrema direita de um lado extremamente radicalizada, intransigente e intolerante e a mesma coisa na esquerda. E a grande maioria silenciosa dos brasileiros não está em nenhuma dessas extremidades”, disse o senador ao chegar para a convenção.

Comentando o posicionamento do PSDB em relação ao governo do presidente Jair Bolsonaro, o senador afirmou que a legenda tucana tem uma visão de economia “muito próxima” do ministro da Economia, Paulo Guedes, mas está “muito distante” do núcleo político do governo em termos ideológicos, comportamentais e sociais.

Doria “presidente”

Emplacando o ex-deputado Bruno Araújo (PE) na presidência nacional do PSDB, o governador de São Paulo, João Doria, chegou à convenção nacional do partido sendo recebido por militantes sob gritos de “presidente”, em referência à possibilidade de o tucano ser candidato ao Planalto em 2022. Doria deve conceder uma coletiva de imprensa ao lado de Araújo após a eleição da nova direção do partido.

A chapa do novo comando do PSDB foi definida somente na noite desta quinta-feira, 30. Além do ex-deputado pernambucano na presidência, o partido vai ter o deputado Domingos Sávio (MG) na vice-presidência – havia uma expectativa anterior que a senadora Mara Gabrilli (PSDB) assumisse a vaga. Sávio já presidiu o partido em Minas Gerais e é aliado ao deputado federal Aécio Neves (MG), ex-presidente nacional da sigla e réu no Supremo Tribunal Federal (STF).

Doria emplacou um aliado para cuidar das contas financeiras do partido. Cesar Gontijo, que foi secretário-geral do PSDB paulista, vai assumir a tesouraria da Executiva nacional no lugar do ex-deputado Silvio Torres, um dos principais interlocutores do ex-governador Geraldo Alckmin na legenda. O deputado Humberto Pereira (MS) foi escolhido para a secretaria-geral do PSDB, substituindo o ex-deputado Marcus Pestana (MG). Os nomes ainda serão confirmados por meio de votação na convenção.

Reforma da Previdência

Bruno Araújo afirmou que o partido vai decidir nas próximas semanas se fecha questão na reforma da Previdência entre as bancadas da Câmara e do Senado. Em caso de fechamento de questão, os parlamentares filiados são obrigados a votar de acordo com a orientação da sigla, sob o risco de punição em caso de descumprimento.

Em seu discurso na convenção nacional do PSDB que o elegeu, Bruno Araújo ressaltou que o partido deve ter “coragem para assumir compromissos firmes para o País” e que o assunto deve ser debatido na Executiva da legenda de forma democrática. Na fala, o pernambucano ex-deputado e ex-ministro não fez nenhuma menção ao governo do presidente Jair Bolsonaro e não deu destaque ao código de ética escrito pela direção da legenda no dia anterior.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou que a possibilidade de o PSDB fechar questão é “decisiva” na reforma da Previdência.