Em balanço de 4 meses, críticas à intervenção na segurança do Rio

"A intervenção federal parece se resumir a incursões em comunidades, cada vez maiores e caras", afirmou cientista social

Rio – Neste sábado, 16, dia em que se completam quatro meses de intervenção federal na segurança pública do Estado do Rio, o Observatório da Intervenção, grupo composto por especialistas independentes para acompanhar e fiscalizar a intervenção, divulgou um balanço com estatísticas e críticas à medida adotada pelo governo federal.

As principais reclamações são o aumento de tiroteios – em maio ocorreram 36% mais do que em fevereiro, segundo o grupo – e a suposta falta de investimento em investigações e ações de inteligência.

“A intervenção federal parece se resumir a incursões em comunidades, cada vez maiores e caras”, afirmou, em nota, a cientista social Sílvia Ramos, coordenadora do Observatório da Intervenção e do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania. “Dados do Fogo Cruzado mostram que o número de tiroteios em maio foi 36% maior do que o registrado em fevereiro. Precisamos de inteligência, medidas estruturantes, de integração das forças, de combate à corrupção e diálogo com a sociedade. A intervenção prometeu tudo isso. Mas está entregando operações, tiroteios e mais mortos em confrontos, inclusive policiais”, conclui a nota.

Segundo o Observatório, que usa dados do aplicativo Fogo Cruzado, desde 16 de fevereiro foram registrados no Estado do Rio 3.210 tiroteios. Nos quatro meses anteriores haviam ocorrido 2.355, o que indica um aumento de 36% após a intervenção.

O grupo destaca que a operação que reuniu o maior número de agentes de segurança (5.370, entre as forças estadual do Rio e federal) ocorreu em 7 de junho, em seis favelas de Jacarepaguá (zona oeste do Rio) , e resultou em 13 presos, um morto, três pistolas e uma granada apreendidas. “Operação mega, resultado micro”, classifica o Observatório. “Quanto custou essa operação?”, pergunta o grupo. “Dados do Ministério da Defesa mostraram que, em fevereiro e março, os custos variaram entre R$ 472 mil e R$ 1,7 milhão por operação”.

O Observatório acusa as forças de segurança de não prestar informações sobre as ações de segurança. “O Observatório enviouàs polícias fluminenses 77 requerimentos baseados na Lei de Acesso à Informação, em 7 de maio; 37 foram indeferidos em 7 de junho, e os outros não foram respondidos até agora”.

O grupo registra ainda que até agora não foram identificados os responsáveis pelo assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. O crime ocorreu em 14 de março.

A reportagem procurou a secretaria estadual de Segurança do Rio para se manifestar sobre esse balanço do Observatório, mas não obteve resposta até o fim da tarde deste sábado.