Em 30 anos, transtornos com alagamentos só aumentaram em São Paulo

Especialistas apontam que o aumento populacional e a falta de planejamento urbano agravaram os efeitos das chuvas

São Paulo – Décadas atrás, as manchetes dos jornais em São Paulo descreviam um cenário comum aos paulistanos: chuvas, enchentes e congestionamentos. Em 16 de janeiro de 1991, um dia de precipitação histórica, o volume das chuvas na capital foi um pouco menor do que o da última segunda-feira, 106 contra 114 milímetros para um período de 24 horas. Mas, diferentemente do que aconteceu 29 anos atrás, os problemas se repetiram desta vez numa dimensão muito maior. Ontem, o número de mortos confirmados chegou a cinco.

No início da década de 1990 o morador de São Paulo já sofria com alagamento das marginais Tietê e Pinheiros, por conta do transbordamento dos rios. Para especialistas, no entanto, o aumento populacional, a construção de prédios em terrenos antes desocupados e a falta de um planejamento a longo prazo colaboraram para a piora do quadro.

Em 1991, o município de de São Paulo tinha 9,6 milhões de habitantes. Hoje, na maior cidade do país moram mais de 12 milhões de pessoas. Além disso, quase 30% dos prédios existentes em São Paulo foram construídos justamente nas últimas três décadas.

“Com a população menor, a quantidade de lixo descartada que entupia o sistema de drenagem e esgoto era bem menor. Com menos pessoas, a cidade tinha menos áreas de risco ocupadas”, informou a Defesa Civil do Estado de São Paulo.

Mancha urbana

O volume mensal de chuvas não alterou tanto de lá para cá, mas a cidade sofreu transformações significativas. Ainda segundo a segundo a Defesa Civil, apesar de anos anteriores terem registrado, em alguns casos, maior volume de chuva, o aumento da mancha urbana dificulta na infiltração da água no solo e, assim, no seu escoamento.

“Outro diferencial agora é que uma área enorme da bacia do Pinheiros ficou alagada, o que não é normal, porque é uma das regiões com maior infraestrutura da cidade. Essa água deveria ter corrido com maior velocidade ao longo do rio e ido também para a (represa) Billings. Não era para transbordar do jeito que transbordou. São diferenças que precisam ser averiguadas”, diz a diretora do Instituto Água e Saneamento, Marussia Whaterly.