Eleições: a derrocada do PT

“O PT vai surpreender nesta eleição”. Essa foi a frase do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos jornalistas quando votou neste domingo, em São Bernardo do Campo. Não deixa de ser verdade, mas pelos motivos errados. Ao fim das apurações das eleições municipais de 2016, ficou comprovada a perda de força política do partido, que em 2012 conquistou 619 prefeituras na eleição. Desta vez, o cenário é de 249, com possibilidade de mais sete, onde disputa segundo turno. O partido é o 10º colocado no ranking total de vencedores.

A queda já se anunciava na previsão de cientistas políticos consultados por EXAME Hoje ao longo do período eleitoral. O fato do número de candidaturas do PT ser menor, passando de 1.901 candidatos em 2012 para 989 postulantes, segundo o Tribunal Superior Eleitoral, também ajudou para a derrocada. Entre as capitais, o PT teve apenas três candidatos entre os dois primeiros. Em Rio Branco, Marcus Alexandre foi eleito em primeiro turno com 54,87% dos votos válidos. A legenda disputa também o segundo turno de Recife com João Paulo (23,76%), que ficou em segundo contra Geraldo Julio, do PSB (49,34%). Era esperado que o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, também disputasse novo pleito, mas João Doria (PSDB) surpreendeu e venceu com 53,29% dos votos.

“A tendência é que um partido que elege menos prefeitos, dois anos depois, perca cadeiras no Congresso. Espera-se um impacto muito forte em 2018, que gerará encolhimento geral do partido”, afirma David Fleischer, professor de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB).

O principal motivador da queda do PT, segundo especialistas, foram os desdobramentos da Operação Lava-Jato e o processo desgastante de afastamento de Dilma Rousseff da Presidência da República.

O PMDB não padeceu do mesmo efeito, pois lidera o número de prefeituras já conquistadas, com 1.019 cidades. O partido de Michel Temer, porém, sofreu um revés importante: ficou sem a prefeitura do Rio de Janeiro, polo forte da legenda e onde o PMDB domina desde 2008 com Eduardo Paes.

“O PMDB não sofreu de forma tão emblemática, porque não é um partido modular. É quase uma franquia em cada Estado, em que se diferenciam os caciques do plano federal, estadual e municipal”, diz Thiago de Aragão, diretor da consultoria política Arko Advice. “A queda do PT é de um edifício mais alto, enquanto no PMDB são quedas recorrentes, não há uma imagem única”.